Segunda-feira, 26 de Março de 2012

Reencarnar

Hoje está um belo dia para reencarnar. Acordei cedo, pela fresquinha, e bebi o meu habitual chã de dieta à base de acácias brancas, recomendado pela Fafá de Belém. Eu não queria começar logo a reencarnar, é certo. Ainda queria lavar os dentes, dar uma vista de olhos pelo jornal e dançar nu em frente ao espelho. São coisas que, por norma, também faço mal o dia começa. Mas foi-me impossível, senti uns suores frios e uns arrepios na espinha e pronto, naquele exacto momento, senhores, senhoras, meninos, meninas e bichinhos, estava a reencarnar. A fase de transição do “eu” para as personagens que reencarnamos é uma espécie de trombose misturada com “Hey! Nem acredito que o Sporting foi campeão.” Nem toda a gente aguenta.

A primeira reencarnação do dia não poderia ter sido mais perfeita. Eu era um informático quarentão, virgem, que nunca beijara um mulher, que organizava as cuecas por dias de semana. Como se isto ainda não bastasse, era vegetariano e tinha um pomar nas traseiras da casa que partilhava com a minha mãe e seis gatos. Perfeito! Como se isso não bastasse, tinha uma paixoneta por dona Irene, uma octogenária proprietária de uma mercearia. Perfeito! Como se isto não bastasse, era dador de esperma desde os vinte e cinco. Ajudara um casal de lésbicas a ter filhos e ficamos amigos. Perfeito! Mas como o que é bom acaba depressa…

Na segunda vez, reencarnei num padre belga. Sentia que os idosos gostavam bastante da minha homilia, mas havia duas coisas que não me sentia nada bem a fazer: funerais e sexo com crianças. Enfim, um grande problema na Bélgica.

Antes de almoço ainda tive tempo para reencarnar no rabo de Pippa Middleton. E vocês “Ena man, que sorte!” Primeiro “Ena man”? Aprenderam a falar português no Aleixo? Segundo, que sorte? Só homens a olhar para mim e a babarem-se. E nem me podia auto-apalpar, porque, como é do domínio público, os rabos não têm braços. Só se for o vosso, o que respeito profundamente.

À noite não reencarnei, mas comi carne ao almoço e carne ao jantar… Será que conta como reencarnação. Antes de acabar, apenas um apontamento engraçado. Fui jantar, neste dia em que tudo aconteceu, a casa de uma amiga e digo-lhe eu “Olha, faz grão-de-bico.” E diz-me ela “Se lhe quiseres tirar o grão, eu faço-te o jeito.”

 

Johnny Almeida

Publicado por Universo de Paralelos às 22:42
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