Segunda-feira, 19 de Março de 2012

Ó Brad Pitt, vai fritar rissóis que os carecas estão com fome

Ah! e tal, parece que virou moda escrever durante viagens de autocarro. Portanto! Cinquenta e quatro lugares sentados? Confere… Idosas barulhentas e coscuvilhantes? Confere… Condutor que para mim é o resultado exacto do cruzamento entre uma mulher feia e o Rato Mickey? Confere… Ora, estarei num museu de arte contemporâneo de uma qualquer metrópole europeia ou estarei, por outro lado, dentro de um autocarro? Tsharam! Num autocarro, vulgo “camioneta”, “camionete” ou “tócarro”. E o frenesim é de tal forma gigantesco que me apetece estar a assistir a uma luta de galos ou a um discurso de um cego sobre as cores do arco-íris, que acho que acrescentavam mais à minha vida.

Desenharam golfinhos na base da ponte 25 de Abril. Agora, para se verem golfinhos, não é necessária uma viagem por águas profundas ou alugar os filmes do Flipper, bastando olhar para os suportes da ponte. É uma ideia bastante pertinente em tempo de crise e que, de forma alguma, deve ser desaproveitada. Desenhar golfinhos na base da ponte faz com eles estejam presentes permanentemente no rio. O truque para o sucesso é transferir a ideia e o método para outras áreas. Pintavam-se pessoas nas cadeiras das salas de teatro, pintava-se bom senso nos administradores das empresas públicas, pintava-se dinheiro na carteira das pessoas. Criavam-se postos de trabalho, pelo menos entre a população que soubesse pintar e também abríamos uma excepção para que a Paula Rego continuasse a tentar.

Inicialmente, gerava-se alguma confusão. Como se distinguia uma nota de vinte de uma pintura a óleo de uma nota de vinte sobre tela em madeira de carvalho num estilo neorromânico primitivo? Depois de uma curta pausa, dou por mim a pensar nas melhores formas de falsificar dinheiro. Talvez não seja assim tão boa ideia esta treta de pintar coisas.

 

Nunca desejei ser milionário. Sempre me regi pela humildade e pela abstenção ao desejo de fortuna, fruto dos ensinamentos de um grupo de monges tibetanos com quem partilhei mosteiro, numa altura em que vivi Sete Anos no Tibete, com o Brad Pitt. Queria só ter dinheiro para comprar três ou quatro clubes de futebol… em Inglaterra, vá. E há pessoas, com quem compartilho este meu plano para o futuro, que me dizem “Tu és rico em saúde.” Sou? Então, Inglaterra, aqui vou eu. “Olhe, desculpe. O que é isto?” E o ser humano com quem travo conversa, responde-me “É o estádio do Manchester United.” E eu continuo “E isto, o que é?” Responde-me o sujeito “Olhe, isto é o meu casaco.” “Levo os dois. Embrulhe-me o estádio e o casaco que são para oferecer.” Ele disse-me que era impossível, mas eu já comprei casacos em lojas e lá eles conseguem embrulhar. Adiante! Diz-me ele ainda “Olhe, então o senhor vai pagar com dinheiro, cheque ou cartão?” E eu tive que lhe dizer “Vou pagar com um atestado médico que diz que eu não padeço de doença absolutamente nenhuma, porque eu sou riquíssimo em saúde. E queria factura, se faz favor.”

 

E se ninguém vier ao meu estádio? Caso isso aconteça, eu mando desenhar pessoas nas cadeiras. Fácil!

 

Johnny Almeida

Publicado por Universo de Paralelos às 23:03
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