Segunda-feira, 13 de Janeiro de 2014

Chorar, complexo, andar de baloiço, roubar, cenas variadas…

As pessoas não são tão bonitas a chorar. E quê? Para quê tanto esforço? Não aguentas, chora. Dá um murro na parede, dá um estouro na mesa. Dá um murro em ti. Só a seguir podes pensar na dor. Quando a estiveres a sentir. Antecipa o teu bem-estar. Que se foda a resto. Vive com agonia. Mais tarde ou mais cedo ela passará. Faz-te melhor. Tenta fazer-te melhor. Não te eduques. Não sejas selvagem. És uma força da natureza. Cada um é uma natureza, inteira, cheia de fauna e flora. Com mais ou menos ervas daninhas, com mais ou menos trepadeiras. Trepa. Não escorregues. Desliza. Desliza, mas imagina que estás a subir. Desliza que é melhor. E suavemente. Saboreia o micro-momento de cada instante. Mas não faças grande caso dele. It’s no big deal. Ilude-te sem antecipares a desilusão. Desilude-te oferecendo caralhadas ao ar, ao vizinho, às pedras da calçada, a ti próprio. Revolta-te contra ti, sem quereres ser o teu oposto. Não penses no que és quando estás em frente ao espelho. Essa imagem não é tua. É dos outros. Não te vês assim. Não tentes explicar-te aos outros. Eles já fizeram a sua própria interpretação. Não te compreenderão. É deles. Sente-se um chimpanzé. Eles ver-te-ão como um coiso. Não coisa. Mas afirmarão sempre que te perceberam. Vais crescer, sentindo-te sempre uma criança. Isto é crescer? Isto é ser grande sem ser crescido? Isto é viver. Enfim. Passar pelos anos depois de passarem os dias. Faz um buraco bem grande. Enterra-te na areia, deixa a cabeça de fora. Encara o sol. Tem a coragem de o deixar cegar-te. Procura o arco-íris que só sai da toca à noite. Procura entre o nevoeiro, ele está lá. Tem uma beleza triste. Tu. Sentes-te miserável? Insignificante, talvez. Dá voltas à cabeça, não dês voltas a ti próprio. Ficas mais tonto do que esclarecido. Dá umas gargalhadas. Perdeste a alegria? Ela voltará. Entra no carro. Música aos berros. Pé no pedal. Berra até sentires as cordas a vibrar. Só precisas de descobrir o que te falta. Só precisas de tempo. Nem precisas de o comprar. Talvez não falte nada. Talvez falte um gesto de um qualquer. Talvez falte um qualquer gesto. Guerreiros não se deixam ir a baixo. Mesmo que se deixem ir a baixo. Puxa-te para cima. Arriba! O puzzle é este, com certeza, e tu encaixas, de certeza. Merda para isto. Descobre, Indiana. Aprecia, Jones. O que precisas. Vai-te foder. Vai foder. Caga para ti. Os outros já estão cagados. Sê. We all die by blood.

 

 

Paulo Jorge Rocha

Publicado por Universo de Paralelos às 22:51
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