Segunda-feira, 21 de Outubro de 2013

As moscas já não fazem amor

Peço perdão pela imagem que vou sugerir, mas só o vou fazer por motivos de contextualização:

 

Estava na casa de banho, a fazer coisas próprias (e dignas) de uma casa de banho, não sendo elas lavar a mãos ou cortar a barba. De onde estava sentado consegui observar algo que captou a minha atenção naquele universo onde não acontece absolutamente nada: um par de moscas.

 

Duas moscas que tiraram um bocadinho de tempo da sua vida de moscas, para estarem juntas, mais concretamente uma em cima da outra. Pensei “Olha que giro! Duas moscas a praticar o amor.” Mas… estavam demasiado paradas. A que estava em cima não se mexia; a que estava em baixo nem um ZZZzzz de prazer. A que estava em cima não arriscava um “Toma que lá vai fruta”; a que estava em baixo não soltava um “Não faças assim que me magoas as costas”.

 

N A D A ! Completamente estáticas.

 

Será que era a primeira vez delas e estavam concentradas para que tudo corresse bem? Se era a primeira vez fico contente que tenham arriscado uma canzana. Muitos parabéns! Será que estavam paradas porque se sentiram observadas por mim? Senti-me um voyeur, um mirone, um assistente por estar a vê-las faz minutos largos. Mas a culpa não é minha, tive vontade de lhes gritar. Eu não vou para casa delas fazer amor para cima do lavatório. Elas é que vieram para minha casa, sem avisar. Se tivessem avisado tinha deixado umas velas de cheiro e uma luz mais baixa para criar clima.

 

E sem nada o prever, a acção nasce de um movimento rápido. Fénix possui-lhes as cabeças para fazer lembrar que o calor só vai fazer subir os termómetros se houver fricção. Os ZZZzzz’s libertaram-se e faziam-se ouvir longe. Elas rebolaram para cima da saboneteira, caíram de costas, mas não desviaram as suas atenções do propósito de ali estarem. Estas moscas são umas malucas que só querem forrobodó e pândega. Siga a festa! Arrisco dizer, sem perceber muito da copulação das moscas, que o fizeram no ar, em pleno voo.

 

Tudo acabou. Há falta de um SG Ventil para dividir pelos dois, como que para selar o momento, tomaram caminhos diferentes. Uma foi a voar, não sei para onde e se deixou promessa de regresso. A outra pousada numa torneira que pingava, o que me dá jeito neste texto para associar a lágrimas que não param de escorrer.

 

Compreendo o teu choro, mosca amiga. É difícil encontrares alguém que te ame e te leve a passear à praia num carro descapotável de dois lugares. Principalmente, no Inverno em que a população vossa é tão curta em número.

 

Fiquei a olhá-la com ternos olhos de compreensão, enquanto a coitada, abandonada, ficava a saborear o amargo da derrota, quieta e pensativa.

 

Johnny Almeida

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Publicado por Universo de Paralelos às 20:01
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5 comentários:
De Teresa a 23 de Outubro de 2013 às 15:34
Podia dar-te para pior :P tenho cá para mim que a mosca que voou era o macho...

(hoje foi a minha vez de comentar o teu blog, de vez em quando espreito...)

Beijo


De Rosinda a 23 de Outubro de 2013 às 18:32
até os bichinhos gostam!!!!!!


De Blogadinha a 24 de Outubro de 2013 às 19:07
Qual choro, isso é desidratação!
E se caíram de costas, quem ficou é menino... :P

Deixa lá o sexo tântrico e vai 'mazé' lavar o lavatório.

lol


De jabeiteslp a 25 de Outubro de 2013 às 10:23

Ganda bezana...

e bom texto também...

bom fim de semana


De Nia a 28 de Outubro de 2013 às 17:35
"...Praticar o amor" Hã? Mas, será que o amor é alguma modalidade desportiva e eu ainda não sabia?!
E a mosca coitadita...será que não a podias levar a jantar e mimá-la mais um bocadinho com esse teu olhar ternurento?

Gosto da tua ENORME imaginação,do teu estilo de escrita, do teu género de humor.


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