Terça-feira, 15 de Outubro de 2013

As freiras do Uganda adoram sopas e coisinhas

As freiras do Uganda são mulheres lindas e de bom coração. Um dia em que esteja mais livre tiro um tempo para as ir abraçar por ordem alfabética. Vocês também não são nada feios. Quando fizerem trinta anos dou-vos um quilo de queijo de cabra. Quem tem mais de trinta que se lembre que a vida não é uma corrida. Nem uma corrida, nem um teste de resistência, Manoelde Oliveira. 


Posto este pequeníssimo prelúdio quero falar-vos de algo que me faz daquele tipo de alergia de ficar às manchas pelo corpo todo. Tanto é que quando vou ao restaurante servem-me ração para girafas. Se estou a falar de apresentadores de programas de culinária? Estou, pois. Esses exploradores da boa-fé humana, trapaceiros em nome próprio servidos de plateia. 

Eles começam sempre desta forma, os seus programas, “Hoje, vou ensinar-vos a fazer…” e dizem um nome de um prato qualquer. Ensinar? E se eu já souber fazer? Eles partem do princípio que eu nem um ovo sei assar. Se há forma correcta de começar um momento de culinária seria esta: 

Chef Coisa e Tal: Hoje a receita vai ser de rissóis de atum. Se não souberem fazer, eu ensino. Se já souberem, eu aproveito o tempo para ir comprar umas botas. 

É que depois esta mania das grandezas chega aos próprios pratos. Primeiro, não lhes chamam pratos, chamam-lhes “criações”. Um arroz de polvo nunca é um arroz de polvo. Aqueles doutorados na arte de bem refogar faleciam se chamassem as coisas pelos nomes. Para eles, um arroz de polvo pode muito bem chamar-se “Pedacinhos de polvo fervidos inseridos em arroz agulha que vinha num pacote azul (e acrescentam qualquer coisa numa língua estrangeira) avecmusicient lloris”. 

Têm o dom de complicar? Sim… 

Outro exemplo. 

Em vez de “Olha, o prato de hoje é sopa com natas e uma mosca que caio sem querer”, dizem “Eu sou o maior e fiz vichyssoise e juntei-lhe uma mosca inteira para dar um sabor campestre. Enfim, é uma experiência gastronómica.” 

Quem nasce torto, tarde ou nunca fica direito. 
Como se não bastasse no fim vêm com aquela do “Esta refeição dá para 4 pessoas.” Dá? Eles sabem lá o que eu como. É gente que por ter uma cozinha equipada com bimby e batedeira pensam que podem dizer o que querem. 

Como é que me sinto? Com vontade de ir para a savana comer as folhas mais altas devido ao meu pescoço de grande alcance.

 

Johnny Almeida

 

     

 

Publicado por Universo de Paralelos às 14:07
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1 comentário:
De golimix a 25 de Outubro de 2013 às 21:19
Continuas imparável


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