Domingo, 16 de Setembro de 2012

Crise e economia: um romance moderno!

Pelos retalhos de Portugal...

 

Vende-se Portugal a retalhos...

 

Para mim a crise é bem boa. quer dizer, pessoalmente, gosto muito, acho-a bem linda, educada e bem sei que ela adora ajudar os outros! Essa malta esquizitóide que anda p'rai de cartazes em punho é que não sabe o que quer, pá! Ora não se consegue contemplar as montras que vaticinam liquidações totais, ora não se consegue apreciar a montra devido aos altos preços anunciados à cara podre pelos vendedores vendidos por um pedaço de chapa, prenúncio de uma união feita por homens de papel.

Afinal, que poderemos nós querer mais? Ter amigos destes é tudo o que uma pessoa pode ambicionar. Facilidades de pagamento - inclusive com um simples cartão de banda magnética - nas zaras, moviflores ou corporaciones dermoesticas, vitais para a nossa sobrevivência. A ver se há descontinhos destes nessas lojas orientais enfadosamente espalhadas pelo país. Além disso, é impossível resistir à bondade sincera de um lojista que nos quer impingir tudo o que pode, só porque apresenta na etiqueta números justificados pela crise, nem que seja um rebuçado ao preço do ouro... desvalorizado.

 

Que bom declarar às finanças metade daquilo que é vendido. Quer dizer, talvez acabe por ser metade do recebido. Bem sei que os gemidos dos meus progenitores anunciam a sua insatisfação por um nível de vida tão caro e insuportável. Talvez este seja uma consequência da subida de um nível de vida ilusório, que só tapa os olhos a quem pensa que um aumento no salário não se torna num consequente aumento nos produtos expostos nas prateleiras deste país.

Ainda mais genial é frequentar essas lojas de rua, assentes em bancadas, provenientes do mercado que prenuncia a obscuridade dos futuros próximos. Isto tudo porque o melhor da economia é a concorrência! (e então se esta for paralelas ainda melhor!). Mas já estamos a frequentar as águas estrangeiras da imoralidade pessoal, assunto pouco relevante. A promessa de feita lá atrás que "descontava metade do preço em qualquer produto estabelecido em território português" dominou esta cabeça vazia e isso é o pouco que interessa.

No final das contas, o que interessa é que eu apoio a crise! Não há outra forma de ver as coisas: crise = desconto. Corrijam-me se estiver errado, mas se saímos da cepa torta, há alguns que começas a enriquecer,  eventualmente passamos a ter um nível de vide mais alto (o que não corresponde a um melhor nível de vida), lá vêm esses comerciantes gananciosos vender as coisas ao preço normal. Isto sim, é uma ofensa para todos!

 

Bem, vou só ali ao Pingo Doce adquirir qualquer coisa que esteja em desconto - em grandes quantidades, claro, para poder pagar com um dos cartões dourados que trago na carteira e depois ainda passo na rádio e televisão portuguesa para ver se eles querem trocar aquilo por uma dúzia de ovos que trouxe a mais desse estabelecimento acima mencionado (unicamente a título de exemplo) na semana passada. Ah, uma dica de última hora: devíamos apostar na formação de shopaholics para potenciar o comercio do nosso pais...

 

Paulo Jorge Rocha

Publicado por Universo de Paralelos às 23:50
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