Domingo, 9 de Março de 2014

Um político honesto

Boa tarde, caros eleitores. Estou hoje, aqui, neste pavilhão municipal a falar para todos vós, para vos apresentar o meu plano estratégico como candidato à chefia do país. E digo “chefia” porque o país é isso mesmo. Eu sou um chefe e vocês serão uns minúsculos cumpridores de ordens. Darei as ordens necessárias para conseguir o maior lucro possível.

 

Não se deixem enganar, cidadãos. Estaria a mentir se dissesse que era um candidato diferente dos que já passaram pelo Governo. Serei um primeiro-ministro-fotocópia daqueles contra quem já reivindicaste. Podem comprar-me aos mais desonestos, aos mais corruptos, que em nada lhes fico a dever. Apesar disso, esperem sinceridade, começando pelo discurso que vos faço aqui.

 

Sendo assim, para este país prometo reduzir e cortar em pensões baixas para conseguir sustentar as mais elevadas. Pretendo fazer cortes que destabilizem o sistema de Ensino e Saúde. Fechar escolas e reduzir professores. Desta forma, haverá crianças com necessidade de se levantarem horas mais cedo e de caminhar quilómetros. Pouca me importa, se estiver a beneficiar um sector privado ou a poupar na despesa.

Teremos também o aumento do desemprego para um valor assinalável de 50%, para que as empresas fracas colapsem e fiquem apenas as grandes, com menor concorrência. Na área da Saúde, tornarei o serviço público obsoleto, fecharei hospitais e, claro está, apresentarei o desemprego a vários profissionais.

 

Contrairei empréstimos desvantajosos de modo a vincular a nossa querida nação a uma maior escravidão económica, fazendo com que permaneça subjugada a um modelo económico que não respeita quem o faz mover. Serão todos obrigados, no dia de Sábado, a fazer refeições no valor de 215 euros, para bem da economia. Quem não o fizer estará sujeito a uma coima de 215 euros, porque de uma maneira ou de outra as receitas entram no sistema. Portanto, mais vale comer e calarem.

 

Prometo colocar caras amigas em cargos benéficos. Amigos esses que espero terem aprendido bons conhecimentos naquela escola da vida que se chama Goldman Sachs. Amigos esses que irão, depois de terminadas funções, ocupar cargos em instituições europeias.

Caro eleitorado, os impostos vão subir. O I.V.A. sobe para 50% e será cobrada uma taxa chamada TGPP, taxa geral para pedantes com um valor mensal de 60 euros para toda a gente que queira usar sapatos.

 

E vocês? O mais irónico, meus dromedários, meus camelos, meus burrinhos, é que vocês vão votar em mim só porque eu sou o maior líder da oposição. Apenas e só por isso.

Boa tarde e continuem a ignorar o que se passa para nós continuarmos a fazer o que queremos.

 

Johnny Almeida

Publicado por Universo de Paralelos às 17:50
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1 comentário:
De pimentaeouro a 9 de Março de 2014 às 23:11
Eu voto nele.


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