Terça-feira, 20 de Maio de 2014

O regresso dos poetas

Já não estão vivos os grandes poetas que o denominador comum conhece. Foi-se Pessoa; Morreu Mário de Sá Carneiro; Finou-se Camões; O Bocage é pó; Cesariny virou refeição para insectos. Estes são a versão portuguesa do Clube dos Poetas Mortos.

 

Para além destes poetas clássicos, que já não voltam, pelo menos para comer um prego, existem outros que sempre que voltam, são um clássico. Desaparecem momentaneamente e quando já os julgamos sepultados, regressam novamente para pregar ao seu público-alvo (a população) nessa grande ode à poesia que se chama ELEIÇÕES.

 

Começam por nos dizer, de olhos doces, “Vem por aqui.” E acrescentam os travadores socialistas “o único voto que muda é o voto no PS”. Quão bela é a conjugação entre a rima pobre e métrica a apelar ao “Ai e tal, só nós é que conseguimos, porque nós somos verdadeiros campeões e andamos no ginásio a malhar e agora estamos com os músculos maiores.” Talvez seja por isso que se diz: O político é um fingidor. Finge tão completamente que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente.

 

Os poetas da comuna deixam-nos com a estrofe “O que é nosso está-nos a ser roubado.” Sem recurso a figuras de estilo, a mensagem poética prende-se com a existência de um bichinho mau que nos vem ao bolso todas as noites, enquanto dormimos. Preferia mil vezes que este bichinho mau fosse uma gaja bem boa, que um Nando “Três Olhos” Ulrich ou um Papão Ricardo Espírito a aspirarem-me dos bolsos as moedas pequenas.

 

Os poetas do governo optam por um “Mostrar a Portugal, à Europa, ao Mundo, mostrar também ao PS”, à senhora da cantina, ao mecânico da minha rua e ao taxista maneta que mete mudanças com um ganchinho… É caso para dizer “Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo?”

 

E como poetas populares, devíamos levantar o cu de onde ele estiver pousado e citar os outros poetas, aqueles que escrevem como consequência lógica de pensar, os que já bateram a bota, e gritar:

 

“A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!”

 

E acrescentem…

 

Se fosse para lavrar terra ninguém aparecia,

Vão morrer longe no cu da vossa tia.

 

Johnny Almeida

Publicado por Universo de Paralelos às 12:35
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1 comentário:
De golimix a 2 de Junho de 2014 às 21:11
Foi uma piada a campanha eleitoral. Prefiro nem ver. Não é pela campanha que fazem que voto em A ou em B.

O Universo tem andado longe, hã?


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