Segunda-feira, 2 de Junho de 2014

Como uma derrota pode ser uma vitória

A “vitória” de António José Seguro nas eleições europeias de Domingo é uma “vitória grande vitória”, mas para António Costa e para o PSD, que agora começam a sonhar em vencer as próximas eleições. Por razões diferentes. Se o poder continua do lado de Seguro. O PS só tem que aguardar e fazer figas. Para António Costa é diferente, e ele sabe-o.

 

Muitos podem criticar o tacticismo político do actual presidente da Câmara Municipal de Lisboa. De facto já teve duas oportunidades para rasteirar o fraco e cada vez mais enfraquecido líder do Partido Socialista, o “vitorioso”. Paulo Portas, é outro vencedor da noite e contrariando o ditado que diz valer “mais que se fale mal do que não falarem nada”.

 

Seguro resistiu, é bom que se diga, mas apenas porque António Costa não avançou. Inconsequente e vazio é isto que posso dizer do líder da oposição. Mais do que Pedro Passos Coelho, no seu género populista. Pedro Passos Coelho até pode ter boas ideias e uma oportunidade de ouro para fazer o trabalho da forma correta, mas não tem capacidade para gerir um grupo de governantes.

 

António Costa foi paciente e pragmático - a um nível que não me agrada – e esperou o afundamento e destruição de Seguro para avançar sem criar dúvidas dentro do partido acerca da sua convicção, fazendo peito para as tropas de Seguro, ideia partilhada pela generalidade da opinião pública. É claro que o líder do PSD poderá alterar-se, resta é saber se tem capacidade para anular a inteligência político-táctica de António Costa, que quando entra é sempre numa condição favorável, onde sabe que a vitória é algo quase certo.

 

Aquilo que aconteceu no domingo passado não pode nunca ser considerado uma vitória. É uma derrota bem explícita, dos partidos, dos políticos, das políticas e dos cidadãos, que estão apáticos e não sabem como reagir ao que se tem passado em Portugal nos últimos anos. Além disso, os portugueses sabem que esta é uma eleição europeia, não percebendo a sua importância. Debateu-se tudo excepto a Europa.

 

Praticamente concorreram os mesmos partidos, com excepção de Marinho e Pinto. Caso interessante, esse. Fenómeno semelhante ao que Rui Moreira viveu no Porto, mas dois estilos diferentes. A campanha foi quezilenta, baseada em acusações - como sempre - e os cidadãos não são esclarecidos sobre a utilidade da mesma, embora Portugal seja apenas um dos membros do Parlamento Europeu e tenha a influência que tem...

 

A europa está a meio de uma crise e esta é resultado do desnorte, nacional e internacional. As pessoas também e a abstenção é sinal disso e cansaço dos demagogos. Exemplo disso são os resultados em França, com Marie Le Pen a aproveitar a popularidade que tem granjeado e com tiradas como a dizer que quer “destruir a União Europeia, mas não a Europa“. Ou na Grécia, onde o syriza começa a fazer-se notar mais do que talvez fosse desejado. A senhora Merkel fica para outro dia.

 

Paulo Jorge Rocha

Publicado por Universo de Paralelos às 13:09
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