Quarta-feira, 6 de Junho de 2012

Copy-Paste

Não tenho o hábito de cumprimentar as resmas de fotocópias que os meus professores solicitam. Mas ó Acácio, não há ninguém que entre numa papelaria, se dirija às fotocópias e as cumprimente com pompa e circunstância. Pois não, digo eu (,mas deveriam porque são elas que nos dão algo mais do que o senso comum). Só se forem tolinhos ou deficientes mentais! – insistem.

Para essa prudente afirmação segue-se meia discordância da minha parte. Seguindo o meu tolo raciocínio, não posso usar a expressão banalizada por indivíduos como eu (irónico!): “estou completamente de acordo!”. Isto porque, na realidade, só aqueles que não batem bem da bola é que falam com folhas de papel, apenas cópias do que é original – a ideia principal e da qual divaguei. Confere.

Dada a minha tendência para interagir com pirataria – e note-se que eu digo interagir, em nada relacionado com downloads (no fundo, cópias das quais pagaríamos cinco euros para assistir num cinema qualquer português). Dito isto, algo que quero contestar, é o facto de haver muito boa gente que, não só apoia esta ideia, como ainda a coloca em prática.

 

Essas almas deploráveis, só por se acharem melhores do que as outras, procriam dois em vez de um! Sai um e de seguida sai a fotocópia! E a loucura destas pessoas não acaba aqui, porque a mãe fala com os dois! Imagino: “ai, eu não tenho um filho melhor do mundo, mas sim dois! Ai que eu sou tão chique!”. E para quê? Vejam-me a incoerência destas pessoas que depois de os arrastar para o mundo, lhes começa a apontar diferenças, apenas porque se lembraram que precisavam de os distinguir.

“Ah, ponho um sinalzinho na cópia ou uma cor de cabelo diferente ou um nariz maior”. Mas afinal o que é isto? Andamos aqui a brincar com coisas sérias. Uma cópia é um ser igual ao original, uma falsificação sem defeitos. É que essas pessoas são picuinhas! Esta descriminação é triste! Já para não falar da criminalização de plágio.

 

Aprendi isto depois de ter frequentado uma clínica para fazer duas Kaleys Cuocos, mas uma delas feia. Agora que penso é curioso ela se situar numa zona obscura e de difícil acesso. Fui avisado que poderia ser complicado concebe-las, mas a ideia de ter duas obras de arte junto à minha cintura não me largava e tive de enfrentar as adversidades!

Não queria largar aquela ideia de possuir o céu na terra, o que sucedeu logo de seguida, quando o médico me impôs a presença da original, além de ter de pagar a “feiesa” que acrescentariam numa delas. Depois de cair na realidade e perceber que era impossível possuir estes dois seres, com funções essencialmente físicas, por não ter o dinheiro necessário para a trazer de solo americano.

 

Tomei, então, uma drástica atitude: passar pela feira da ladra e comprar o filme “a ilha”. Disse-lhe eu que me estava a servir mal, porque a capa estava toda riscada. “Culpe a ASAE!” – disse ele, num português mal tratado  – “Foi a fugir deles que fodi a capa toda”. Incrédulo com o que aconteceu, reapareci nesta cadeira presa nesta varanda entre serras para escrever estas pacuadas (extremamente originais!).

 

 Paulo Jorge Rocha

Publicado por Universo de Paralelos às 22:11
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