Quinta-feira, 31 de Maio de 2012

Cocó da Ressaca

Tão inevitável como ir a Roma e ver o Papa ou como ir comprar pilas e reclamar do preço, é o cocó da ressaca. Algo a que os comuns mortais, principalmente aqueles que são da religião do alcoolismo, não podem evitar.

 

“Sinceramente, a falar de cocó. Que baixo nível!” Talvez seja, mas este tipo de coisas fazem parte da vida. A não ser que vossas excelências cozam o rabo. O cocó é uma tradição milenar. Acreditem ou não, já se fazia no tempo do paleolítico e no próprio Renascimento, em que tudo era belo e iluminado. Acreditem ou não, o Cristiano Ronaldo, tão capaz de enganar dois adversários com uma finta curta, também o faz. Portanto, o cocó é das coisas mais comuns e transversais a todos os seres.

 

As noites são giras. Dizem-se três mil patacoadas numa única frase, faz-se tudo o que nos vem à cabeça, entre outras coisas do mesmo calibre. E o dia seguinte? Ah, pois é. No dia seguinte há dói-dóis dentro das cabeças das pessoas e muita vontade de ficar na cama. Mas de lá temos de sair, nem que seja para fazer aquele maravilhoso cocó com a magnifica capacidade de nos aliviar a alma. “O cocó feito depois de uma noite de copos é dos mais importantes e deve ser acompanhado por uma reflexão profunda sobre a vida. Ou em alguns casos, pela tentativa de reconstituição da noite anterior.” Revelou-me uma fonte próxima do Comité Central Europeu para as questões do cocó.

 

É uma tradição. Se não vejamos os documentos onde esta forma com características próprias de evacuar vem mencionada. Dando uma vista de olhos na Bíblia, podemos ler na Carta do Apóstolo Pedro aos Coríntios “… Jesus disse-lhes que deveriam espalhar a palavra do Senhor, mas também lhes disse que, depois de uma noitada passada na boa companhia dos amigos e do álcool, eles deveriam privar-se de tudo durante uns trinta minutos e sentarem na retrete para um momento a sós.” Podemos também mencionar a Segunda Emenda da Constituição da República Portuguesa onde está escrito no artigo n.º1024, parágrafo terceiro, alínea b “A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, onde todos os cidadãos têm o direito e o dever de, quando acordados em ressaca, comer fastfood e expelir cocó, durante o tempo que quiserem, na companhia do número de jornais e revistas que bem entenderem.”

Ainda acham que isto é baixo nível? Estou só a citar documentos.

 

O processo é simples e digno de divindades. Contacto visual com a sanita. Ela sorri para nós e pensa “Hum! Dois jornais, a Dica da Semana e uma revista Sábado. A noite foi bonita, foi. Sente-se aqui que já conversámos.” E de facto, sentamos. Eu gosto de fechar os olhos, como que a agradecer ao Deus da caca por aquele momento. Faz-se um bocadinho de força de modo a não nos rebentar uma veia e depois e só esperar pelo “splash”. Lê-se umas linhas de texto e repete-se o processo. Meus senhores, aquela sensação de alívio é de bradar aos céus.

E não torçam o nariz, nem se deixem apoderar pela repugnância. Toda a gente faz assim, até a princesa do Mónaco ou o Ministro das Finanças. Se bem que este faz mais cocó do que toda a gente junta, porque parece que anda sempre bêbado.

 

Johnny Almeida

Publicado por Universo de Paralelos às 19:19
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