Quarta-feira, 23 de Maio de 2012

Contem isto aos vossos filhos...

Certo dia, no Mundo Encantado dos Sonhos, uma senhora varria a cozinha e encontrou uma moeda no chão. Ao olhar para ela, sentiu a sua sorte mudar. Pensou:

 

- Vou para a janela perguntar se alguém quer casar comigo!

 

Porém, reflectiu um pouco.

 

- Não vou nada que isso é coisa de vadia. Vou antes comprar umas compotas e umas flores para enviar à minha mãe que ela esteve internada por causa do coração.

 

Preparou um belo cesto repleto de coisas que a sua mãe gostava. Umas fatias de bolo de canela, rissóis vegetarianos, doce de abóbora e umas revistas de ponto-de-cruz. Chamou então a sua filha mais nova:

 

- Ó Capuchinho, chega aqui. A menina vai a casa da sua avó e entrega-lhe este cesto.

 

Responde-lhe a filha.

 

- Ó mãe, não me chames Capuchinho. Depois as pessoas leem os livros e pensam que eu me chamo assim. Sabes perfeitamente que o meu nome é Jéssica. E não me dá jeito ir a casa da avó, porque combinei ir com o Claudemir para casa dele ver o “Two girls, one cup.”

 

- Ó filha, não gosto nada que vás a casa desse rapaz. Chegas a casa com um hálito estranho. E outra coisa, vai pelo caminho de alcatrão e não vás pelo bosque que eu vi no noticiário que anda lá um lobo que come criancinhas.

 

E o Capuchinho pôs-se a caminho de casa da sua avó, a cantarolar e com o cesto pendurado no braço. Mas como era de esperar, desrespeitou a sua mãe e foi pelo bosque. Parou a meio do caminho para colher umas amoras silvestres. Aproximou-se um grupo de homens e um deles meteu conversa:

 

- Olá, Capuchinho. Queres ir beber um copo?

 

Responde a menina:

 

- Que fofos! Vocês são sete e são anões. Como é que se chamam?

 

- Somos os sete anões. – responde um deles com a boca cheia de queijadinhas.

 

- São sete. São anões. Chamam-se sete anões. Não percebo porque é que as pessoas vão sempre pelo mais óbvio, mas nada contra. Estou ocupada, porque vou a casa da minha avó levar-lhe este cesto. Mas vocês também devem andar ocupados lá no circo onde trabalham.

 

Aquelas pequenas criaturas sentiram-se ofendidas com as palavras da menina e decidem baixar as calças e cantar palavras de ordem como “É o gang bang com a Capuchinho” e “Vem cá telefonar para Bróxelas.” Factos a que achei muita piada, mas como narrador desta história tenho que ser politicamente correcto e dizer que foi muito mal feito o que aquele gente pequena fez. Se pudesse dava com uma pistola de choques eléctricos nos anões. E foi um pouco isso que a menina fez. Enraivecida por estar a ser conectada com o pirilau dos anões, atirou-lhes pedras. Uma delas fez ricochete e matou um veado. E pronto, foi assim que morreu o Bambi.

A pequena continuou o seu caminho com a missão de entregar o cesto à avó e conseguir regressar a casa a tempo de ver a “Rosa Fogo”. Repetiu o processo: cantarolar, cesto pendurado no braço e passada larga.

Finalmente, chegou a uma pequena casa feita de guloseimas. Em vez de abrir a porta, comeu-a. Já lá dentro, viu um bilhete da sua avó:

 

“Querida Capuchinho, mudei-me para a cidade. Isto de ter uma casa feita de chocolate e acuçar, dá-me cabo do coração. Já passava mais tempo a caminho do hospital do que a fazer bolos. Agradeço-te o cesto, mas devolve-o à tua mãe que ela está cada vez mais magra e cada vez mais pálida. Da última vez, estava branca com a neve e a falar para um espelho. Ela que se alimente. E para ti, se tiveres fome, ainda tens o Hansel e a Greatel no forno. Fiz com umas batatas a murro, ainda deve estar quentinho.”

 

A menina ficou frustrada. Desmarcou o encontrou com o Claudemir, discutiu com a mãe, aturou anões tarados, matou o Bambi e quando chega a casa da avó para lhe dar um mimo, ela mudou-se para a cidade com a mania das grandezas. Era muita coisa para a cabeça de uma rapariga de quinze anos. Deitou-se um pouco para descansar. Acordou com um príncipe a beijá-la. Diz a Capuchinho:

 

- A Bela Adormecida que saiba que passas a dormir no sofá. Mania de beijar toda a gente que está a dormir. Sai daqui que tu gostas é de fazer o amor com criancinhas, que eu bem sei.

 

Pegou numa lâmpada mágica e esfregou-a.

 

“De momento não posso atender. Deixe mensagem após o sinal. Beeeeee!”

 

- Ó Génio, eu sei que estás aí.

 

O Génio sai da lâmpada e fala para a menina:

 

- Olá, eu sou o Génio da Lâmpada e tens direito a três desejos.

 

Depressa a Capuchinho o interrompeu:

 

- Tu és o Génio. Tu vives numa lâmpada. Chamas-te Génio da Lâmpada. Não percebo porque é que as pessoas vão sempre pelo mais óbvio, mas nada contra. Olha, estou farta de homens bonitos e superficiais. Quero alguém que se importe com o que sou e com o que sinto. Quero um homem honesto, sincero e meigo. Nem me importo que seja feio.

 

Tsharaaaaaaam!

 

Foi duas vezes comer um gelado com o Corcunda de Notredamme, casaram e tiveram quatro bebés. Era, de facto, muito boa a parir a Capuchinho. E viveram feliiiiiizes para sempre. Pelo menos até aparecer Claudemir e convidar a menina, que já era mulher, para um gang bang com anões.

 

Johnny Almeida

Publicado por Universo de Paralelos às 22:41
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