Quarta-feira, 16 de Maio de 2012

Casamento: uma competição inevitável

Já que se fala tanto em desigualdade de género, ou já se falou tanto nisso, vou só aqui mandar meia-dúzia de postas de pescada só para vos abrir os olhos. Em todas as relações ambos os cônjuges precisam de espaço para os próprios se reabilitarem do sofrimento e da angústia que provocam um ao outro.

Da mesma forma que o rei do país vizinho precisa de um tempo de férias (e de partilhar a casa apenas com as amantes). É desta forma que ele evita atritos com a esposa e esquiva-se de proferir frases como porque no te callas! ou te pido perdón, um hábito estranho que tem...   

 

Mas voltando à essência da questão, percebemos que o homem, por exemplo, normalmente tem o seu momento de reflexão enquanto aspira o carro com o rádio aos berros. Reparem que normalmente os homens aspiram o carro quase como se estivessem no café a beber cerveja e a comer tremoços, ou seja, vai tudo até à última migalha. Aliás, nota-se que aspirar o carro é algo que requer carinho, ternura e, principalmente, precisão.

Em sentido contrário, as raparigas têm o carro na maior “bagunceira” possível. E reparem que eu utilizei o termo bagunceira, que é um brilhante casamento  entre bagunça e lixeira– lá está o trocadilho. Sou cá um ponto! E diz-me a minha, “ah, não é bem assim... Não tenho é tempo para arrumar o carro! Tenho de fazer tudo sozinha…”. “Promenores”, disse eu. Em vez de arrumares a louça do almoço, vens limpar o carro, pá!”. A conversa ficou por aqui porque eu aumentei o volume do rádio. Afinal, estava no meu único momento de introspecção.

 

Na realidade, os homens têm tendência para uma certa desorganização dentro de um sítio que não serve para mais do que ver futebol, guardar a cerveja e dormir, rodeado por quatro paredes. Nem dá gosto limpar! Por outro lado, quando um elemento feminino entra em casa, parece que levou uma lavagem cerebral e inicia a lida doméstica sem pestanejar.

Ah, machista! – dizem vocês. E eu respondo: nunca! Mas é que se perguntamos se ela precisa de ajuda ainda levamos com um “não, é preciso ser eu a fazer tudo! Não fazes nada! Agora, já que comecei, também acabo.” E se não perguntamos, também estamos fritos à mesma. Quer dizer, um homem é preso por ter cão e por não ter.

 

É por isso que esta distinção indoor/outdoor necessita de ser feita. Ao mesmo tempo que se evitam arrufos por picuinhices, as pessoas ainda descontraem. Enquanto o homem prefere actividades que contenham sol, vizinhos (para eles verem como se limpa um carro com uns chinelos de praia nos pés, uns calções dos anos 80 e um cigarro no canto da boca), a mulher prefere ouvir televisão e ver a vizinha a olhar pela janela para um qualquer “gajo” que possa estar a mandar estilo enquanto limpa o seu carro...

 

Eu compreendo, mas é inevitável perceber que só aquelas mulheres que têm carros com televisores é que conseguem limpar um carro como manda a lei! Mesmo que não a esteja a ver patavina do que se passa no ecrã. Isto são factos meus amigos, comprovados cientificamente por investigadores do laboratório Magalhães Lemos.

Noutro dia fui lá a uma consulta com “um amigo meu”, onde esta acertada teoria estava escancarada aos olhos de todos. Agora que reparo – enquanto roo esta cadeira -, era por isso que a ambulância onde o “meu amigo” ia deitado estava tão limpinha… Bem me diziam os senhores enquanto me amarravam com o cinto de segurança… e o próprio hospital também, segundo comentavam as senhoras de bata branca…

 

Paulo Jorge Rocha

Publicado por Universo de Paralelos às 20:52
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