Quarta-feira, 11 de Abril de 2012

Olhe, se faz favor, era um bebé!

 “Olha, então se calhar é engano.” E diz-me ela “Será?” Piscou o olho e fez aquele sorriso maroto como que a dizer “Tu mais logo, vais rebentar-me todinha.” E pronto, estava contada a história de como duas pessoas se conheceram. Agora, o homem anda nisto há sete temporadas, já dormiu com trinta e sete mulheres e meia, e não há maneira da canalha saber como é que ele conheceu a mãe deles. São pessoas que complicam e sem poder de síntese.

Isto vem a propósito da história que vos vou contar hoje, a história de como conheci uma pessoa: a minha irmã.

Fui almoçar a casa do Ozzy Osbourne. Comemos estufado de morcego com uma outra coisa que me parecia cérebro humano. Estava bom. Se calhar, com um bocadinho de cominhos e pimenta ficava melhor. Mas, pronto, foi uma refeição diferente. Ao fim fez-nos companhia uma prostituta e toda a gente sabe que o lema delas é “Quando ponho uma coisa na cabeça, vou até ao fim.” Foi divertido. A carne de morcego tem duas reacções directas nas pessoas. A primeira e mais normal é a vontade incontrolável de cantar heavymetal em tronco nu. A segunda é o desejo inegável de ir à lenha. Eu fui à lenha, em tronco nu e a cantar heavymetal, porque eu sou um campeão.

Recolhíamos alguma lenha, eu e minha mãe, e tudo estava a correr bem até que ela, num tom de voz espantado e elevando uma saca de plástico, diz “Olha, está aqui um bebé.” Eu ainda disse “Traz, que isso é para fazer lume. Serve na mesma.” Começou logo a falar-me dos direitos humanos. Para quem não sabe, os direitos humanos são uma espécie de texto engraçado para o governo do Irão.

Passou, por acaso, uma moça num carro estupendo. Era uma grande máquina, mesmo. Grandes jantes, bruto aleron, grandes faróis. E os do carro também não eram nada maus. No apogeu do meu autoritarismo, fiz-lhe sinal de STOP. Posso não saber muita coisa, meu bom amigo ou amiga, mas tenho a certeza de uma. As mulheres adoram tanto bebés como os cães adoram fazer xixi em árvores. Disse eu àquele par de mamas com pernas e braços “Olha, tenho aqui um bebé para te vender. Faço preço de amigo.” E diz-me ela “Quanto é que é o valor?” Como eu não sou romeno, nem albanês, não sei qual o preço de uma criança. Minha mãe grita lá do fundo “Nós ficamos com a criança. Fica lá em casa e brinca com as tuas coisas.” Sinceramente, não estou a ver um bebé a brincar com uma máquina de barbear, mas como tinha uma marcação às três para pôr farandol no cabelo, aceitei a ideia. Para dizer a verdade já me estava a afeiçoar à criança. Estava até a escolher-lhe um nome. Surgiram-me estes que me pareceram os melhores: Recluso N.º114, Rissol de Camarão, Pintinhas ou Cristiano Ronaldo Jr. É preciso um nome bonito, porque nunca se sabe se pode chegar a futebolista ou a actor. Se bem que para mim, filmes com pessoas vestidas não têm grande interesse.

A boa nova surgiu quando me disseram que era uma menina. Fiquei feliz porque logo pensei “Quando ela fizer dezoito, levo-a para uma estrada que não tem curvas e vivo dos rendimentos.” Fiquei tão feliz que estive três horas a comer blocos de cimentos. Coisas minhas…

Depressa criamos intimidade. Apaixonei-me por aquele bebé. O cheiro a fezes da catraia relaxavam-me a alma e estampavam-me um sorriso no rosto. E só Deus, as mães e toda a gente que se relacionou com bebés sabe como merda de recém-nascido cheira mal. Parece que têm um esgoto que lhes sai pelo rabo. Era um bebé que só chorava por dois motivos. Ou porque tinha fome, ou porque eu lhe mandava gás pimenta para o quarto… sem querer.

Ensinei-lhe tudo o que sei. A brincar com legos, a numeração romana até treze e a caçar com arco e flecha.

Hoje posso dizer “Adoro bebés”. Gostava de ser pai, mas já procurei em muitos matos e muitos contentores de lixo e não encontro. Alguém conhece outra forma de ter filhos?

 

Johnny Almeida

Publicado por Universo de Paralelos às 19:53
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