Segunda-feira, 26 de Março de 2012

Era uma vez na China

Estava eu aqui a ler uma revista bem interessante quando dei de caras com um artigo que aconselhava aos leitores quinze coisas a fazer antes de morrer. Nessa altura, estava a dar na televisão os Power Rangers – versão samurai. Pensei logo, um artigo deste dirigido aos rapazes de olhos em bico como é que seria?

Embora, não tenha o rigor informativo necessário e sarcasmo em exagero, decidi escrever este texto no qual nenhum asiático se irá rever, mas que fará com que qualquer pessoa que abra os olhos mais do que um centímetro associe logo ao “po(l)vo amarelo”.

Sair do trabalho antes de completarem 24 horas de labor e, já agora, procurar na internet o que é essa treta dos direitos humanos seriam dois bons princípios. Embora não pareça, ter tempo para passear e respirar um ar cinco por cento mais puro do que o que circula dentro do local do seu ofício faz bem à saúde.

No entanto, não adianta de nada se estes saírem mais cedo do trabalho, aproveitarem as boas coisas da vida se, depois disso, chegarem a casa e virem quatro paredes à sua volta. Habitar numa casa com uma ou outra janela não prejudica em nada a vida da pessoa e até pode estranhamente deixar as pessoas bem-dispostas quando acordam de manhã.

Ah, pois é, eles têm aquela ideia que sabem voar... Se calhar é melhor recuar nesta ideia das janelas… Caixas de fósforos estão muito bem para eles, assim pelo menos ninguém vê pessoas a cair dos céus ou espalmadas no meio do chão.

Diria mais, pode até evitar actos dementes como saltarem de janelas ou comerem arroz pelo nariz (tinha que vir o estereótipo!). Acredito ainda que, se eles investirem mais em casas de alterne – ou se abrissem uma em cada fábrica para os intervalos das dez (que não existem) dos seus funcionários - e em detrimento da energia nuclear, podem beneficiar de um clima social menos obscuro e uma vida mais fácil de suportar.  

Deixarem de comer carne de cão e, mais importante, deixar de a dar aos outros em restaurantes. Também não seria má ideia se abandonassem a ideia de guardar familiares ou amigos mortos em arcas frigoríficas... Está bem que poupam o dinheiro dos funerais, mas depois não têm onde guardar os cães para o jantar do dia seguinte.

Deixarem de nos perseguirem quando entramos nas suas lojas. Além disso, devem expor os produtos segundo as regras de organização portuguesas, já que eles não têm problema nenhum em misturar feno com roupa.

Gostava que mandassem os filhos para a escola, lá podem aprender que existe a letra R no abecedário português e aprendem a dizê-la. Passam, assim, a falar um português melhor que o do Jesus. Outro benefício que estes passam a ter é a sua possibilidade de promoção a empregado de caixa - deixando o seu posto de vigia de clientes na esquina entre o carvão e a banha de porco -, visto que agora já sabem fazer contas e dizer “euros”.

Acredito seriamente que se tivéssemos uma ou duas porções de chineses a trabalhar para nós na Função Pública, não haveria qualquer problema em baixar os salários. A sua capacidade de sujeição é notável. Não sei como é que eles educam as crianças por lá, mas também deveríamos mandar um ou dois desses professores chineses para a Madeira, de forma a ensinar ao sr. Alberto João Jardim boas maneiras.

Se ensinamos os macaeenses a falar português, somos bem capazes de fazer com que os asiáticos a vendam pipocas nos cinemas – o que dava logo um outro ar cultural ao mundo cinematográfico -, gelados na praia ou que trabalhem nas minas de Pejão. Atrairia até mais turismo asiático para as nossas belas praias portuguesas.

Importante seria, também, que eles deixassem de ser génios da tecnologia e dos videojogos – já sei que estou a confundir Hiroshima com Beijing -, mas o qual é a diferença? Eles são todos iguais, só muda o bronze. Haveria menos concorrência e poderíamos distinguir-nos, dada a baixa capacidade que o português tem para se assumir como vencedor. Voltando atrás, não será todo este texto feito de estereótipos?

 

Paulo Jorge Rocha

Publicado por Universo de Paralelos às 22:46
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1 comentário:
De Filipa Teixeira a 2 de Maio de 2012 às 23:13
Confesso que me divirto imenso a ler estes posts! Continuem, porque o fazem muito bem. :D


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