Terça-feira, 7 de Janeiro de 2014

Português = Klingon

No passado dia sete houve, pelo menos, um jornal português que noticiou a curiosa demissão de um vereador de Indian Trail. Esta localidade americana, situada no estado da Carolina do Norte, viu Michael Alvarez demitir-se em Klingon. Alvarez, guiando-se claramente pelos ensinamentos da famosa série Star Trek, procurou com este acto “explorar novos mundos (…), audaciosamente indo, onde nenhum homem jamais esteve”.

 

Este antigo munícipe é, com certeza, um grande fã desta série de ficção científica, que gozou de uma enorme popularidade junto do público aficionado do género, e confessou querer fazer “uma última gracinha” no momento da sua demissão. Ora, se nos Estados Unidos da América, a política goza de uma enorme porção de ironia e disparate, esta piada originalíssima por parte de Michael Alvarez não deixa de ser ironicamente acertada.

 

Mais uma vez e porque a minha preocupação são os meus e não os estrangeiros – sinto-me ironicamente americano ao escrever esta frase, enquanto a associo a actos franceses relativamente recentes – talvez já haja por cá uma versão soft – a nossa especialidade – desta iniciativa. Senão, reparem, há um senhor, de cabelos grisalhos, que actualmente ocupa o cargo de Chefe de Estado – será que ocupa mesmo? – que tem agido de uma forma bastante dissimulada e sempre em nosso nome.

 

Tendo por base a minha curta experiência na observação da vida política de Aníbal Cavaco Silva, diria que citações como “as necessidades de muitos sobrepõem-se às necessidades de poucos… ou há de um só” não fazem qualquer sentido, apesar de ele usar chavões do género em quase todos os discursos que profere. Realmente parece-me que tem encontrado os discursos dele em caixotes do lixo ou em obras de ficção científica, mas como alguém disse um dia “olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço”.

 

Para o Presidente da República, palavras leva-as o vento, e é a partir deste princípio que tem gerido todas as suas acções durante os dois mandatos em que ocupou o Palácio de S. Bento. Ainda melhor. Como palavras leva-as o vento e as acções ficam para a história - principalmente se há comunicação social por perto - e tendo ainda em conta que as acções do nosso presidente são como tiros nos seus próprios pés, Cavaco tem optado por ficar quietinho. Ainda mais quando quer dar a entender que tem feito tudo e mais alguma coisa para salvar a nação.

 

Senhor Aníbal, se pretende dar nas vistas, faça como o vereador da localidade de Indian Trail, mande os seus assessores escrever os seus discursos em Klingon que, de qualquer das maneiras, ninguém entende nada do que diz e, mais importante, não fica no ar a ideia da nulidade que tem sido no exercício das suas funções: protecção do povo português. E termino este discurso de ficção científica como Michael Alvarez terminou o dele: “Cchaq DaHajaj QaQ jaj jaj”, como quem diz, “talvez seja um bom dia para renunciar”.

 

Paulo Jorge Rocha

Publicado por Universo de Paralelos às 01:34
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3 comentários:
De golimix a 9 de Janeiro de 2014 às 08:23
Talvez fosse... mas este mundo está longe de ser perfeito, e a bem dizer, se fosse perfeito ele não estava ali.


De pimentaeouro a 11 de Janeiro de 2014 às 12:34
Quando Cavaco Silva deixar a presidência pouco, ou quase nada, restará dos seus mandatos.
Cumprimentos.


De Kok a 17 de Janeiro de 2014 às 11:45
Nunca pensei nisso mas agora começa a ter algum sentido para mim aquilo que os políticos dizem; inicialmente eu pensava: os gajos são uns mentirosos e andam a ensaboar a mente das pessoas.
Afinal eles andam é a debitar sons Klingonicos ou Vulcanios ou lá o que são e a malta pensa que é português!

Por acaso tu sabes palavrões em Klingonico? Se souberes, partilha, ok?

1 abraço!


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