Domingo, 11 de Março de 2012

Quem conta um ponto, acrescenta um conto

Quem conta um conto, acrescenta um ponto. E isto pode ser muito divertido se tivermos um inimigo e lhe quisermos destruir o prestígio. Do género, “O António comprou um carro.” “O António comprou um carro. Ele veste-se de mulher e gosta de carregar no baton”, acrescentamos nós. Numa fase posterior o boato há-de chegar a este ponto: “O António comprou um carro. Ele veste-se de mulher para matar criancinhas negras, porque ele é racista. Esse mesmo António rezou o Pai Nosso ao contrário, à meia-noite, para invocar o anti-cristo.” E temos aqui uma coisa gira. Mas raramente é isto que acontece. O que acontece neste exercício de maldizer quase inconsciente e que serve unicamente para gerar mal entendidos, invejas e situações inóspitas, é que existe o perigo real de sermos lesados. Porque há três ensinamentos, proferidos por grandes filósofos portugueses e que estão sempre presentes no meu pensamento. São eles “Quem anda à chuva, molha-se”, “Nunca brinques com o fogo” e “De manhã, está-se bem é na caminha.” Se bem que este último não eu respeito tanto.

Podemos acabar, nós, pessoas inocentes, a vestir de mulher e a matar criancinhas. Se bem que a parte do carro novo, nem me importava. Em muitos casos esta onda incontrolável e negativa é proporcionada pela inveja dos seres. E eu não gosto disso. Gosto quando toda a gente se dá bem e passeia de mão dada. E por mais que pareça que estou a brincar, gosto mesmo. Afinal, o que tenho eu a beneficiar com o mal dos outros? Respondem vocês “Nada, ó madre Teresa de Calcutá.”

 

Desprezo a teoria do “quem conta um conto, acrescenta um ponto” e valorizo com um excesso merecido (se é merecido, será excesso?) a teoria do “quem conta um ponto, acrescenta um conto.” Eu explico. Em conversa com amigos, surge uma palavra ou conjunto delas que nos remetem para outra história. E com o final desta, alguém se lembra de outra… e outra… e outra. Boas memórias contadas através de aventuras que todos vivemos juntos. São momentos de felicidade imensa, onde não existe relógio e o tempo parece-nos uma invenção ridículo de quem quer medir a própria vida. E amigos não são como a velha bruxa que nos alimenta a guloseimas e depois nos mete no forno. Já agora, um abraço ao Hansel e Gretel. Estão sempre dispostos a entrar nos nossos pesadelos e a combater o vilão de espada, revólver e/ou coragem em punho.

Estamos ali, parados, com a alegria cravada no rosto a régua e esquadro, a recordar ao ritmo do café e ao sabor de um saxofone que toca de forma suave. Venham mais histórias e gargalhadas. Venham mais coisas agradáveis que a tarde é de calor e eu não tenho pressa nenhuma de me ir embora. Porque o segredo é nunca dizer adeus às ramboias e aos cafés de camaradas.

 

Johnny Almeida

Publicado por Universo de Paralelos às 22:18
Link do post | COMENTAR | Favorito

!>Pesquisar neste blog

 

!>Junho 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
18
19
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30


!>Arquivos

!>Visitas