Segunda-feira, 28 de Outubro de 2013

Quem semeia ventos não colhe nada

Diz-se por ai que o mau tempo é culpa tanto da água como do vento. Não acho que as depressões - metereológicas, claro – ou a precipitação ou as frentes que vão percorrendo continentes sejam as principais culpadas pelo facto de não percebermos nada do que a senhora da meteorologia diz de manhã.

 

Muitas vezes quero saber que tempo vou enfrentar antes de sair de casa e fico a sentir-me burro depois de ouvir a descrição do tempo para o dia que ainda está a começar. Este é o início de dia que ninguém ambiciona, por muito mal que se possa desejar a uma pessoa. Desesperado para saber se hei-de usar boxers ou cuecas para melhor enfrentar o dia, sou obrigado a abrir a porta e tento prever o que trará aquele dia em termos de temperaturas e/ou chuviscos.

 

Só não deixei de ver o telejornal matinal porque me dá alguma alegria ver a meteorologista a mexer no ecrã táctil como se tivesse medo que dali saltassem tempestades ou chuvadas perigosas. Já que não aprendem nada nesses cursos de meteorologia, bem podiam aprender a usar as novas tecnologias. Assim erravam, mas com estilo. Não é o que todos querem actualmente?

Acho que há uma certa displicência em relação aos profissionais da meteorologia. Na África do Sul, errar na previsão meteriológica pode dar direito a dez anos de prisão. Em Portugal, pode dar um café e um bolo de arroz. Eu queria ver se em vez de um lanche da manhã tivessem direito a uma jaula. Até faziam chover dentro do estúdio. Não é só o tempo em si, há alguma culpa no meteorologista. Ou então no meteorologista português.

 

Faz pouco tempo que li “como é linda a puta da vida”, do Miguel Esteves Cardoso, e numa das suas crónicas explicava uma curiosidade que deixa de ser curiosidade assim que a entendemos. Ele explicava que uma das diferenças entre portugueses e ingleses, além do facto de não usarem dupla negativa, é o facto da sua linguagem ser mais positiva. Ou seja, em vez de anunciarem chuvas fortes com pequenas pausas, preferem falar em sunny spells, isto é, anunciam pequenas aberturas solarengas em vez das nossas típicas previsões apocalípticas. São mais positivos, no fundo. Nós somos mais “desgraçadistas”. Conhecem o termo tempestade num copo de água?

 

Mas também não podemos crucificar os meteorologistas porque eles não são os únicos a enganar pessoas com a convicção que estão a fazer um bom trabalho no que diz respeito a informar ou ensinar algo a alguém. Quando se fala em relâmpagos ou trovoada com crianças, significa que jesus está a ralhar – talvez tenha origem no mítico zeus, deus grego; chuva torrencial? Jesus está triste e chora por causa dos nossos pecados; sol? Ainda não ouvi nenhuma, mas deve ser porque jesus estará eventualmente muito contente e acompanhado por duas gajas bem boas no solário.

Isto é desculpa de quem não é meteorologista, talvez sejamos mais de 90% da população, mas também não aprendeu o processo de circulação da água na atmosfera. É uma coisa mais simplista e cala a canalha. Se ela se estiver a portar mal, ainda dá jeito que lá em cima se mande umas caralhadas para o ar que, como somos sensíveis chega à terra em forma de relâmpagos ou trovoada, como vos aprouver.

 

É uma ideia um bocadinho à imagem dos “pis” que surgem quando alguém diz uma asneira na televisão. É claro que esta concepção de asneira é do mais falacioso que há. Caso contrário, não conheceríamos a amplitude da voz do nosso primeiro, tantos os “pis” que dalí saem todos os dias. E já nem falo dos nomes parvos que dão a furacões e maremotos?

 

Paulo Jorge Rocha

Publicado por Universo de Paralelos às 23:25
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