Segunda-feira, 21 de Outubro de 2013

Os romancistas

Areia: substância mineral pulverulenta ou granulosa.

Seca ou húmida, inverno ou verão. Está fora de época. Tanto faz, o que interessa é que ela existe. O facto é que esta substância mineral minúscula normalmente entretém os mais pequenos, faz cócegas nos pés dos mais sensíveis e transmite good vibrations a muitos de nós. Mas pretendo concentrar-me apenas nas construcções na areia. Zonas movediças.


Água: líquido natural transparente, incolor, geralmente insípido e inodoro, indispensável para a sobrevivência da maior parte dos seres vivos; chuva, suor, lágrimas.

Todos os trabalhos feitos em areia têm valor, embora este lhe não seja intrínseco. Valor sentimental. Atribuimos significado a tudo o que nos rodeia instintivamente e, por vezes, inexplicavelmente. Incompreensível? Difícil de perceber, diria, mas fácil de aceitar. Sentimentos não se interpretam, mesmo que seja algo tão pequeno como um arenito. Sentimento não é proporcional ao tamanho do objecto, do momento ou da pessoa. Sentimento - positivo ou negativo - nunca é proporcional. Água é cola da areia e do sentimento.


Argila: terra ou rocha formada de silica ou alumina.

Areia, argila, água. A junção de todas, fazem um, tornam materiais em matéria. Nasce a arte. Do irrisório ao brutal, pela ponte do carinho. Carinho, fruto do cuidado. Cuidado, consequência da atracção. Se eu raciocinasse como uma pessoa normal, água seria “lava pés”, sujos de argila. Um elo de ligação. Contorço-me a ouvir o outro desvalorizar-se. Cada um com as suas piquinhisses. Aos encontrões como grãos de areia na mão do escultor. Diferenças. Isto não faz sentido. Somos seres humanos. Camadas compactas de areia.  


Corpo: tudo o que ocupa espaço e constituí unidade orgânica ou inorgânica; o que constituí o ser animal.

Obra feita. Homem feito. Satisfeito. Orgulhoso. Tanto homem como areia são semelhantes, constroem-se. Tornam-se algo. Juntos. Até passar uma rajada de vento mais forte. Expostos ao sol, chuva ou ventos excessivos são capazes de se desmoronar. Surge a tristeza. Num gesto aparentemente simples. “As vidas dos outros nunca me soam...”. Demasiado amamentados, aconchegados, intolerantes?


Romance: narração histórica em versos simples, narração em prosa, de aventuras imaginárias, ou reproduzidas da realidade, combinadas de forma a interessarem o leitor; conto, fábula, fantasia.

Seca a água, energia esgota-se. Escultura do homem desvanece-se. Tanto carinho. Tanto romance. Talvez não tenha sido em demasia. Fez o homem viver e há-de continuar a fazer. O sentimento transcende o objecto. Obras de arte vivem-se por todo o lado. De onde vêm?  


Amor: sentimento que induz a aproximar, proteger ou conservar a pessoa pela qual se sente afeição ou atracção; grande afeição ou afinidade forte por outra pessoa; ligação intensa.


Paulo Jorge Rocha

Publicado por Universo de Paralelos às 19:58
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