Quinta-feira, 26 de Setembro de 2013

Os monstros estão cada vez mais fraquinhos

Não sei de onde vêm, nem como chegam até cá. A única coisa que eu sei é que esperam sempre que adormeça para me virem chatear durante a noite. Eu não tenho tempo para eles porque preciso de dormir para, no outro dia, ir para a escola. Toda a gente sabe que as crianças da minha idade precisam de dormir. Se calhar os monstros não sabem as horas. Se calhar os monstros, com a fome, comeram os relógios e agora não sabem a que horas se devem deitar.

 

Ainda ontem, estava agarrada ao meu ursinho, quando um com um nariz de dois metros e dentes de vampiro, me tocou no ombro e acordou. Tentou assustar-me com uma cara feia e um grito que mais parecia alguém com dor de dentes. Não conseguiu, foi muito fraquinho. Eu disse-lhe “Tente de novo, senhor monstro.” Ele tentou, mas… foi bem pior que a primeira vez. Desistiu de me querer assustar, mas garantiu-me que os outros meninos e meninas se esconderam debaixo do lençol logo quando o viram, e nem foi preciso gritar.

 

Tive pena dele. Ofereci-lhe bolachas e uma caneca de leite. Perguntou-me se eu tinha minhocas, porque é o que os monstros comem. Como não tinha, aceitou o que lhe ofereci. Chamou os amigos com um assobio. Um assobio muito parecido com aqueles que vou ouvir quando for adulta e passar num prédio em obras. E os seus amigos vieram. Havia um muito engraçado. Tinha cabeça de serpente e patas de aranha. Chamava-lhe sempre serpentaranha, mas ele amuava porque já me tinha dito que se chamava Baltazar. Do armário das meias veio outro ainda mais engraçado. Só tinha cabeça, um olho maior que o outro e usava a língua para andar aos saltinhos. Vinha para me assustar, mas eu disse “Não me assustas. Tens que vir cá ajudar o pai a colar envelopes porque se ele tivesse uma língua igual à tua, colava cem de cada vez.” E riram todos. Afinal, os monstros também riem.

 

Que gente esquisita. De onde é que eles vieram? Monstrolândia? Cidade dos Monstros? Vila das Criaturas Feias?

 

De repente, ouve-se um barulho. Os monstros arregalaram os olhos e saltaram para o colo um dos outros a tremer de medo. Eu dei uma gargalhada tão grande que se ouviu muito longe. Vieram para me assustar e quem tem medo são eles? Obrigado meus monstros queridos, vou dormir mais contente, mas se vocês querem assustar as crianças têm de ser melhores. Beijinhos da Matilde.

 

Johnny Almeida

Publicado por Universo de Paralelos às 16:32
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7 comentários:
De Anónimo a 27 de Setembro de 2013 às 16:20
Nunca me meteram medo...


De Existe um Olhar a 27 de Setembro de 2013 às 19:04
Adorei a história e a valentia da menina que não tinha medo de monstros...moça inteligente, hem! Monstros mesmo são alguns com figura de gente que atazanam as nossas vidas., desses eu tenho medo.


De jabeiteslp a 27 de Setembro de 2013 às 20:06
Boa sátira

Stendalesca de momentos ?



De Marta a 27 de Setembro de 2013 às 22:47
Gostei,


De luadoceu a 28 de Setembro de 2013 às 11:22
Ola,enfrentar os monstros implica coragem
E todos nos dentro de nos a temos e soo saber procurar
Olha,não querendo incomodar,não dentro do conteúdo do poste,n estou nos teus contactos,aconteceu algo?
Bom fds


De Dany a 30 de Setembro de 2013 às 00:23
Opa adoro, mas detesto que esses monstros me roubem as minhas preciosas horas de sono. beijinhos*


De golimix a 4 de Outubro de 2013 às 08:38
Alguns monstros metem-me medo! Mas esses da história não.
Os que me metem medo também têm nomes estranhos IRS, TOIKA, FMI, Passos Coelho, ... e por aí fora. Sabes que alguns chegam a tirar-me o sono à noite? (mentira que felizmente durmo que nem pedra, não sou eu que trato das contas em casa,...)

Amei a história! (pa ti)


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