Quinta-feira, 19 de Setembro de 2013

Despedida

Bom, o ambiente está agradável e tudo mais, mas tenho que ir andando que tenho em casa uma mulher casada. É a minha avó, mudou-se em Outubro depois do casamento de um tio com uma mulher africana que ela dizia cheirar a catinga e a caril, mesmo depois de eu lhe dizer que o caril era indiano. A minha avó antes vivia com o meu avô que lhe fez dezassete filhos. Temos que ter em atenção que estamos a falar de um tempo em que as actividas lúdicas e recreativas não iam além da procriação. Não havia um clube de xadrez, nem um grupo de hiphop. Agora é que eu vejo como as coisas evoluíram. Mas ainda bem que tenho muitos tios, porque, quando era puto, no Natal recebia muitas prendas e, agora, posso gastar um tinteiro de impressora só em convites de casamento.

 

Eu próprio já vivi no Montijo. Vivia ao lado de uma senhora que em vez das duas mãos tinha dois ganchos e mesmo assim conduzia um tractor. Antes do Montijo, vivi em Telheiras, mas era muito chato, porque as pessoas faziam confusão e diziam que eu era de Fonte da Telha. Estavam constantemente a trocar os nomes às terras. “Ai, tu és dali. Ai, tu és daqueloutro.” Um dia estava mais nervoso e disse-lhes “Da Fonte da Telha é a vossa mãezinha.” Não era, porque a mãe deles viveu num sanatório até morrer e aquilo ainda ficava a duas horas de carro de Fonte da Telha. Mas pronto, foi só para chatear.

 

Cheguei a ir visitá-la. Eu e uma cachopa da linha de Sintra que raramente usava cuecas. Não por ser pobre, mas porque era exibicionista e gostava de fazer truques com a alavanca das mudanças. Coisas dela! Eu ia a conduzir e ela sempre a mexer-me no retrovisor para se ver ao espelho. Pôs-me aquilo de pernas para o ar. Eu disse-lhe “Olha, é muito lindo o que estás a fazer, por acaso! E se eu agora pegasse no teu baton e te fizesse três riscos na testa?” É que sinceramente há coisas que não têm explicação.

 

Para piorar a situação, quem é que decide usar o meu vidro da frente como latrina? O grande rei dos pássaros. O grande rei dos pássaros cagou-me no vidro e aquilo ficou uma porcaria. Daquele tamanho não foi um pássaro normal. Foi o grande rei dos pássaros depois de ter vindo de um casamento e ter comido e bebido como um abade. Era apanhá-lo e fazer um arroz.

 

Posto isto, vou para casa que tenho lá uma mulher casada.

 

Johnny Almeida

Publicado por Universo de Paralelos às 13:28
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2 comentários:
De Blogadinha a 19 de Setembro de 2013 às 19:23
Só faltou dizer que escreveste o texto na Baixa da Banheira! Lol


De golimix a 4 de Outubro de 2013 às 08:41
Andas meio confuso....


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