Quarta-feira, 31 de Julho de 2013

Onde andavas tu?

As mesmas orelhas, o par de cornos na testa e o nariz-batata que tão bem lhe ficava, continuam iguais. Passados estes anos todos, encontrei o pequeno Hugo. Já não vai até à Caverna das Caveiras. Faz mais vida de casa-trabalho, trabalho-casa e vais de vez em quando ao café beber um Macieira.

 

Estivemos algum tempo na conversa. Já não namora com a Hugolina, contou-me.

 

Isto é um aparte: Provavelmente começaram a namorar antes de saber o nome dela. Porque é aquele tipo de nomes que dá vontade de rir agarrado à barriga às meias horas e no fim dizer “Chamas-te mesmo Hugolina? Nunca desejaste ser muda para não teres que dizer o teu nome às pessoas?”

 

Retomando… Já não namora com a Hugolina. Juntou-se com a bruxa má, quando percebeu que ela era boa, pelo menos a fazer fellaccios. Vivem com os miúdos num T0 em Santa Iria da Azóia e dividem as contas do gás, da luz e do aluguer de uma égua que usam para passear ao Domingo. Não é um veículo de cinco portas e jantes de liga leve, mas o feno é bem mais barato que a gasolina. Vão até à praia, bebem umas minis e mandam uns ácidos e é um Domingo bem passado, até mesmo para as crianças.

 

Deixou de aparecer e ficou no esquecimento. Teve uma vida difícil desde que deixou o estrelato. Tentou ser amigo dos sete anões, mas não sabia manusear uma picareta.

 

Isto é um aparte: A viver com sete anões, ela até podia ser branca, mas não era da neve, certamente.

 

Retomando… Tentou ser brinde no ovo Kinder, mas não cabia por causa dos pés. O Pai Natal tinha as vagas cheias na fábrica. Foi então que começou a trabalhar no Lidl porque o amarelo do logotipo lhe fazia lembrar pão com queijo.

Repõe stocks. Especializou-se nas prateleiras baixas, até porque é as únicas a que chega. Quando é preciso dá uma perninha na caixa, onde a frase que mais usa é “Vai desejar algum saquinho?” em vez da já mítica “Esquece mãos de manteiga, este jogo já era.”

Atendeu-me com a simpatia de um alemão com um barra de dinamite acesa no rabo e um cubo de gelo nos tintins, mas a nostalgia era tanta que estive quase a dar-lhe um abraço não fosse o facto de cheirar muito a suor.

 

Às segundas, terças e sábados à noite é MC numa associação de reformados homossexuais onde faz furor com as suas rimas assassinas, tais como, passo a citar, “Pau com pau, vagina com vagina. O Paulo ama o Nicolau e a Maria ama a Regina.” Dá-lhe MC Ceroulas, um homem à antiga que aceita as “modernices”.

 

Isto é um aparte: Telefonei mais vezes para o teu programa que para a minha tia na Bélgica. Gastei quase tanto a telefonar para o Hugo como em linhas eróticas. Cheguei à conclusão que valia mais a pena o jogo, porque neste caso dava mesmo para entrar na caverna.

 

Retomando… Não me deu um autógrafo porque não sabe escrever, mas pintou os lábios de grená e deu-me um beijo no rabo. Foi a recordação que trouxe para casa, além da memória inesquecível de estar a conversar num hipermercado com alguém que não existe. Pediu para vos mandar abraços e para lhe ligarem se tiverem uma bicicleta de montanha para vender em segunda mão.

 

Johnny Almeida

Publicado por Universo de Paralelos às 13:34
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3 comentários:
De DyDa/Flordeliz a 2 de Agosto de 2013 às 03:25
Não entendi pevide.
Talvez por isso me ri que nem uma parva.
Cheira-me a neurónios chamuscados. Não admira a esta hora já passaram do tempo de uso que abuso.
Não tarda mandam-me internar.
Isto também foi um aparte. Confesso que não faço ideia de onde a retirei e muito menos onde a devo colocar

Paralelos à parte, boa noite, sim?


De jabeiteslp a 13 de Agosto de 2013 às 14:26

Êláááááááá´

se pões os pés no Irão
fazem-te AyeTola num ápice...

boas ondas por aí


De Dany a 17 de Agosto de 2013 às 15:13
já comi o crepe sim senhora, ihih.
Opá o que me fartei de rir com este texto, aha. beijinhos*


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