Quarta-feira, 31 de Julho de 2013

Ensacar pertinentemente

Falemos de sacos. Sim, sim. Sacos. Plástico. Muitas vezes estampados com logótipos das suiperfícies comerciais que frequentamos, a forma mais fácil e barata de publicitar algo. Quem é que os inventou? Será que aquando da sua invenção este tinha intenção de transportar iogurtes no seu interior? Tudo aconteceu à 151 anos, um senhor com um barrete e óculos na cara enrugada lembrou-se de algo quando se ia deitar, altura em que ia organizando mentalmente as actividades do dia seguinte.

 

Quando Alexander Parks inventou a parkesine, que posteriormente viria a originar o plástico, teve a pertinente ideia de criar um meio de transporte para objectos de pequeno porte. Com certeza que, à data, o sr. Parks não há-de ter tido a preocupação com o facto de eles se rasgarem facilmente ou de serem biodegradáveis. Por melhores que sejam as intenções – que, de facto, eram - num momento estamos a criar uma solução e, de uma cajadada, estamos a criar um problema.

 

Aliás, terá eventualmente sido a partir desta ideia que nasceram as referências a todos os outros “sacos” aos quais nos referimos diariamente, sejam eles os “sacos dos tintins”, o saco onde as galinhas armazenam comida (os mais esclarecidos chamam-lhe papo) ou até o saco azul. São assim tratados com base na mesma ideia que fizera o sr. Parks lançar-se à descoberta de algo novo e, que ainda hoje nos é extremamente útil: um recipiente fácil de manejar, que sirva como meio de transporte de algo.

 

É, aliás, o valor que damos aos sacos que me intriga. Ah, este é giro. Pode servir para levar qualquer coisa. Aprendi isto com a minha mãe, o saco é tão bonito que o queremos manter em nossa posse com a desculpa de que servirá para algo no futuro. Em regra, os sacos de papel, típicos das lojas de roupa, são os mais bonitos. Mesmo que seja para transportar uma merda qualquer, desde que pareça bem a quem passa por nós. Ah, ele leva ali um rolex, quando na realidade levo um cd dos Anjos.

 

Mesmo dentro da categoria “sacos de plástico”, há uma hierarquização dos melhores e dos piores. Pessoalmente, os sacos plásticos do continente acabam por ser os mais desprezados mas, ao mesmo tempo, os mais úteis. Além de terem uma qualidade merdosa – rasgam demasiado facilmente, servem para colocar o lixo e isto explica o razão de estarem no fundo da minha lista de hierarquização de sacos de plástico. Também tenho uma de sacos de papel. E uma que abrange todos os tipos de sacos.

 

Há outros, tipo os dos mini-mercados, o seguintes na lista - são um pouco mais “rijos”, que chegam a servir para guardar um qualquer objecto que não possa ficar a apanhar pó. Os sacos podem, claro. São rascos o suficiente para isso, mas um da Zara tem funções de outro calibre. Há também os sacos que servem para guardar outros sacos, coisa da qual eu não vou falar por ser extremamente parva. Agora que perceberam que eu sou um gajo totalmente racional, comecem a fazer as vossas listinhas de sacos e vão ver que pouparão muito tempinho inútil da vossa vidinha de bosta.

 

Numa perspectiva evolucionista, há sempre uns que reparam os pequenos problemas que eventualmente nasceram quando se vai pôr em prática uma ideia revolucionária. Foi nesse contexto que nasceram os sacos de papel. Servem para transportar coisas, geralmente são mais bonitos e são biodegradáveis. Em vez das grandes superfícies comerciais taxarem os sacos de plástico, poderiam disponibilizar sacos de papel. Falamos de sacos. Sim, sim. Sacos. Papel.

 

Paulo Jorge Rocha

Publicado por Universo de Paralelos às 13:32
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De DyDa/Flordeliz a 2 de Agosto de 2013 às 04:06
Esta agora...

Fez-me lembrar a amiga Sissy e a minha Maria Amélia.

Emprestei a última por uns dias para as lides domésticas, já que a primeira, andava com elas, com um atraso assim por volta de mais de um ano. Ou seja fora de prazo. Tão fora de prazo, que mal abria a porta da rua, a poeira levantava fazendo-a coçar o nariz e espirrar.
Adiante...
Asseada e limpa como só ela sabe, a minha Maria Amélia, levou o encargo a peito e colocou tudo em pratos limpos, deixando tudo num brinquinho e a brilhar.
Ficou tudo tão arrumadinho que a madame no primeiro dia não reconhecendo o cheiro de lavanda levou um susto e pensou que enfiou a chave na porta errada.
Adiante...
Adiante?
Nada disso!
O caldo entornou-se.
Porquê?
Porque Madame, guardava sacos.
Os de papel coloridos, das viagens, dos presentes, pequeninos, grandalhões, de plástico, com alças, com argolas, bem...
Tinha assim, uma espécie de coleção por catalogar.
Ora, na ânsia agradar e ajudar a organizar o que achou a Maria Amélia ser falta de tempo que levava a dona da casa a não arrumar o lixo depois de guardar as compras, enfiou os sacos e embrulhos e fitas e laços de uma assentada e sem dizer água vem ou água vai, e vai daí...
Deixando-os no caixote do lixo (toda a famosa gama de variedade e sortido de estimação) no próximo, deixando-o atulhado.
- Até parece que a estou a ver a sacudir uma mão na outra, cantarolando feliz com proeza. Tarefa superada.
- Sim, ela canta, enquanto vai arrastando objetos que nunca deveriam ser...arrancados do lugar.
Mas, adiante...

Adiante?
Nada!

Terminaram as lides na Sissy.

- Mais vale pó que nos provoque alergia, do que sacos arrancados com rebeldia.

E foi neste contexto que a minha amiga chorou baba e ranho por não conseguir substituir os sacos que eram "recuerdos" dos países por onde vai circulando.

Afinal...

Ok! Percebi. O texto nada tem a ver com o assunto.
Ou tem?
Pois, tem.

Há gente parva, não há?

Tem de haver. Faz parte.




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