Terça-feira, 4 de Junho de 2013

Indignações quotidianas de um rico

Porque é que os talheres são cada vez maiores e as porções de comida cada vez mais pequenas? Os clientes que enfiam as provisões pela guela a baixo certamente acharão que esta se evaporou demasiado rápido, mesmo tendo consciência do quão finos são. É claro que num restaurante destinado a embuchar a classe alta fica mal repetir ou pedir novamente comida.

 

Desenganem-se aqueles que pensam no restaurante fino como um estabelecimento “take-away”: comem lá e, se quiserem mais, não convém pedir porque a porção de comida que vem no prato é mais do que suficiente. Tenho pena é que eles façam estas contas tendo em atenção o estômago de um anorexico. Se quiserem comer mais que vão à casa de pasto. Isto aqui não é farta burros. Duas rodelas de couve roxa e três folhas de alface chegam perfeitamente para uma pessoa se manter até à hora do lanche.

 

Com o estômago tão cheio, surpreende-me que ainda haja espaço na barriga para as sobremesas. Esperemos é que não sobre espaço em excesso na carteira, caso contrário já não se pode ir lanchar, temos de ficar assim até à “janta” e isso já nem as ossadas da Marta Leite Castro aguentavam. Se fosse uma criança, até era capaz de dizer que só com as sobremesas já ficava a abarrotar, mas isso também depende se me serviam sobremesa no pires do café ou no verdadeiro prato de sobremesa e, claro, com que talheres comeria porque a senção de comer muito também advém do número de garfadas que levamos à boca.

 

Se repararem bem, há até uma certa goludisse da parte destes restaurantes ao querem sacar tudo, ainda ficando com o máximo possível.

Numa comparação despropositada, lembram-me aqueles senhores que se apropriam de poderes como se estes lhes tivessem sido efetivamente dados em vez de cedidos, que gostam da popularidade da ideia de contribuir para acabar com os conflitos em casa dos outros, mas fazem-no porque assim lhes convém.  Pouco satisfeitos, querem ainda vender a material que fomenta a discussão dentro daquela casa, que merece a sua estima por um único motivo, e digo desde já que não é a boa-vontade.

 

pOr situações semelhantes, passa a história do conflito na Síria, porque, além dos russos quererem afirmar publicamente que ninguém manda no menú servido dentro das suas linhas de defesa, percebemos que as deslocações de carro são coisa para custar pouco mais de sessenta cêntimos e um conflito neste território asiático valoriza os seus activos, e de que maneira!

 

Há também os que não apreciam mensagens subliminares e precisam apenas de gasolina como de pão para a boca, gente rude da cidade, que carrega tanto nos “erres”, ou nos “is”, não distingue “is” de “jotas”, ou anasala os “emes”, como no armamento para aquela zona do globo. Pior de tudo isto é que o fogo de artifício vem antes de se servir a sobremesa e, sem a barriga (e os bolsos) bem atestada, eles ficam rabugentos.

Ganham estes tiques e depois não esquecem os tradicionais clichês atribuídos às estrelas “hollywoodescas”, levando muito a sério o facto de fazerem tudo para se manterem na ribalta. Gostam de desfilar em frente às massas e depois dão com eles em total negação em relação à efemeridade da profissão. Na maior parte das vezes, esquecem-se que devem representar um papel em nome de terceiros e não para terceiros.

E no meio desta salada de verão, há ainda aqueles que dizem “nim”, tipo o milho que não é doce nem salgado, ainda não se percebeu que benefícios degustativos acrescenta e ora vai alegrando o prato, ora não vai.

 

Voltando ao “cherne” da questão, se muitos destes restaurantes trabalham especificamente para a elite – tendo em conta que 1% da população concentra 40% riqueza mundial –, o que prevejo é um grande insucesso se pretenderem continuar a oferecer menos do que os olhos do cliente estão dispostos a comer. Por exemplo, o D. Duarte Pio não pode dar “fillet mignon” todos os dias aos filhos, senão ficam os restaurantes e vai-se a Nação.

 

Paulo Jorge Rocha

Publicado por Universo de Paralelos às 14:40
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2 comentários:
De jabeiteslp a 5 de Junho de 2013 às 20:15

nós por aqui felizmente
ainda temos umas comidinhas de Restaurante a 6.50

não será fartura em excesso mas de sabor...

Feliz resto de semana people


De golimix a 6 de Junho de 2013 às 21:09
Sabes que a comida é pouca mas é servida com arte!


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