Terça-feira, 23 de Abril de 2013

Observador

Há melhor momento para pensar do que quando se está a comer leite com bolachas no terraço? Provavelmente há, mas como eu sou pobrezinho, contento-me com pouco.

E pensa-se sobre o quê? Sobre a apanha das cerejas na Holanda, sobre a puberdade das moscas, sobre a apneia que algumas pessoas fazem para sempre. Um pouco de tudo numa forma desordenada e confusa. Ficam alguns exemplos para vocês lambuzarem-se com esta sabedoria do tamanho de uma coisa mesmo grande, tipo um cavalo:

 

A praia. Um lugar calmo ao sol onde se ouvem as gaivotas ao longe. Pelo menos, é isto que nos vem à imaginação. Quando lá chegamos, deparámo-nos com um quadro completamente diferente que parece alterado de propósito só para os nossos ouvidos esguicharem vapor que nem chaleiras. Somos transformados na última peça do puzzle no momento de estender uma toalha e quando o conseguimos fazer, o vento presenteia-nos com areia e as criancinhas, tão lindas, com boladas nos dentes.

Querida memória, porque é que fazes isto comigo? Porque é que não me lembras das coisas tal como elas são? Já não gostas de mim?

 

O xixi. Como é tão bom, nos dias de calor, andar na rua de calções e chinelos. Como é tão mau andar de calções e chinelos e, ao mesmo tempo, ter vontade de mijar. Estamos numa rua onde não há nada, nada e mais nada. A próxima casa-de-banho é a três quilómetros e estamos a pé. Ou é na rua, ou é nas calças. Meus amigos, partilho este drama convosco, porque, por muito cuidado que se tenha, vai salpicar para o pé. Ninguém vai reparar, mas nós sabemos que salpicou… Há dias assim…

 

Meias e sandálias. Sandálias para o calor, meias para o frio. Quem é que usa os dois ao mesmo tempo? Pessoas que não sabem em que estação estão e levam os dois para jogarem pelo seguro ou turistas. Na minha opinião, aquilo é esteticamente incorrecto e não faz as mulheres pingarem da boceta, mas é a maneira que eles encontram para dizer “Olá, sou alemão.” Tal como todas as outras coisas que fazem rir, eu não quero que isto acabe.

 

Dedo mindinho. Serve essencialmente para duas coisas: para desenvolver, a certa altura da vida, uma unha asquerosa e repugnante que se fosse uma pessoa teria zero amigos no Facebook, por ser tão feia; e para nos fazer soltar um “Fodasseeeeee!” sempre que batemos com ele na beira da cama. Qual a utilidade deste dedo do pé se ele não sabe engomar uma camisa ou levar o cão a passear? A utilidade dele é não ter utilidade, o que eu acho, de certa forma, bonito.

 

Gosto muito da vossa companhia e, um dia destes, temos que combinar uma churrascada, mas agora vou vestir uma camisa com folhos azul-bebé e vou derreter ouro para o depósito do carro. Pode ser que, com sorte, descubra um combustível mais barato.

 

Johnny Almeida

Publicado por Universo de Paralelos às 14:03
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3 comentários:
De Anónimo a 28 de Abril de 2013 às 14:26
jubilante, mais uma vez.


De golimix a 28 de Abril de 2013 às 19:07
Se pudesses sequer adivinhar o que este post me fez bem!

Ri a bom rir! No fim, soltei aquele suspiro agradável depois de darmos uma boas e genuinas gargalhadas, recordas?

Boa semana Johnny


De Avelino cailo cailo drog a 20 de Maio de 2013 às 09:11
Gostei da sena


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