Terça-feira, 19 de Março de 2013

A árvore genealógica de uma nêspera

Não é a árvore genealógica de uma nêspera qualquer, mas a de uma muito especifica que se chamava Perestrelo e que fez a catequese até ao sexto ano.

 

Perestrelo de Quintela era um fruto de família brasonada. A sua avó tinha linhagem de fruta escandinava e o seu avô passeava-se nos melhores pomares de Alvalade, na viragem do século XX. O seu avô foi comido por uma velha. A sua avó teve um destino completamente diferente e foi comida por uma velha.

 

Perestrelo Pai, pai de Perestrelo Filho, era um fruto pacato. Gestor da sua própria multinacional e assassino de pessoas, nos tempos livres. Incrível como um fruto tão pequeno tinha um arsenal tão vasta em armas, destacando-se dois canhões da Guerra Civil Espanhola, armas de fogo, armas de ar comprimido, catanas, sabres, punhais, navalhas, cartuxos de calibre 12 e sabor a sulfato, que pode não matar, mas deixa um paladar estranho na boca. Que o diga a velha que o comeu.

A sua mãe era uma badalhoca, mas isso também não interessa nada, porque ela foi comida por uma velha.

 

Perestrelo Tio era a ovelha negra. Aquilo a que se pode chamar de “um falhado”. Tinha um Doutoramento em Marketing e Estratégia e era dador de medula óssea. E dizem vocês “Ai e tal, mas isso são coisas boas.” Desde quando é que faz sentido uma nêspera ter um doutoramento e ser dadora de medula? Mas também a nossa relação não vai ser igual à de dois macacos a atirar cocó um ao outro, só por causa disto. Até porque Perestrelo Tio já foi comido por uma velha.

 

Só em nota de rodapé. A sua irmã chamava-se Mário. Fez a mudança depois de perceber que demorava muito na fila da casa-de-banho das senhoras. Ironicamente, morreu na fila da casa-de-banho… comida por uma velha.

 

Esta é a árvore genealógica de Perestrelo, uma nêspera com cabelo à tigela  que não sabia nadar, a quem não deixaram morrer por decomposição, porque foi comido por uma velha. Ou quase… Estava quase a ser comido quando a velha teve de ir apanhar a roupa e o pousou na janela. Passou um dálmata e comeu-o. Mas era um dálmata que via-se claramente que já tinha sido uma velha numa vida passada.

 

Johnny Almeida

Publicado por Universo de Paralelos às 19:25
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2 comentários:
De golimix a 19 de Março de 2013 às 23:03
É por essas e por outras que eu não acredito na reencarnação.... já viste se eu tivesse sido nêspera noutra encarnação?




De jabeiteslp a 21 de Março de 2013 às 22:26
Raio de dissertação...hé hé hé


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