Segunda-feira, 11 de Março de 2013

I'm not an iron man

Muito obrigado...

 

- Veja se encontra um astronauta para agradecer, eles andam ai ao virar da esquina... -atirou, sem qualquer tipo de falsa modéstia, cansado de agradecimentos.

 

(Algumas horas depois, no auditório da cidade)

 

- A única pessoa com quem sou capaz de trair alguém é contigo... Não me digas quem, que eu não estou interessado em saber...

 

- Não pares por favor... - numa escalada de intensidade insaciável.

 

- Ok... Hum... És incontornável, tanta gente lá em cima e... e eu aqui, contigo, porque será, tinha um gaja bem boa ao meu lado e, mesmo assim, tive de vir à casa de banho... - agarrando as pernas dela ainda com mais firmeza.

 

- Cala-te, já não te posso ouvir, ainda bem que está escuro, assim também não te vejo. Se fosses mudo, estava casada contigo. - apesar de se sentir genuína entre a estante e a sua pele.

 

- A sério, ele lá em cima e tu aqui comigo, mesmo por baixo dele... hum... Isto soou mal... - ao ver a sua cara, devido à ténue luz que vinha da pequena janela plantada atrás da estante.

 

- Ok, ainda bem que te apercebeste. Só dizes merda, está calado. Eu gosto de ti, mas tu és insuportável. Não és capaz de ter uma conversa verdadeira com ninguém (enquanto lhe passava emotivamente a mão pela cabeça, enquanto disfarçava o olhar real). - ah, ah, continua... ah, ah... amo-te - nem eu te consigo controlar.

 

- Desculpa, é o meu trabalho, tem de ser... - disse ele, antes que ela repetisse tudo o que tinha dito há alguns anos atrás.

 

- O teu problema é a adrenalina, sem ela serias melhor pessoa... - soltou, com o sorriso malicioso que ele adorava, iluminada pela luz que reflectida na minúscula janela situada mesmo por cima da sua cabeça.

 

- Sem ela estarias sentada no andar de cima, a vê-lo a falar de... de...

 

- Máquinas de purificação da água. - um pouco incomodada pela sua displicência, dando-lhe uma lapada no rabo, como se desse a entender que estava a adormecer.

 

- É sobre isso a mostra? - com a respiração ofegante, mas entendendo a sua mensagem - Já percebi a mensagem, tenho de treinar a resistência para a próxima.

 

- É. Vês, é por isso que não te suporto. Quem te disse que ia haver próxima? Isso...- irritada por ele se ter apercebido aquilo que lhe ia na cabeça, mas não passava pelos lábios. Mas aquela rampa mágica que subia de intensidade enquanto os dois se encaixavam, perfeitos, como um puzzle.

 

- Ok, tens razão. Eu sou assim, já tentei... - encostando a sua face na dela, ouvindo a sua respiração acelerada para depois se aperceber do quão macia era a sua pele... (apesar do calor dos dois corpos o deixar desconfortável e, por isso, deixou-a cair no chão, afastando-a). 

 

- Não mudes, gosto de ti assim... - disse bem alto - sem medo que alguém ouvisse -, descontrolada pelo prazer, sentindo-se rainha de algo bem grandioso sem saber que realmente o era...

 

(As palmas ecoavam no andar de cima)

 

- Mesmo na hora certa, disse ela enquanto se aperaltava, mas não em demasia para não chamar a atenção de quem não devia.

 

- E eu tento perceber porque me encontro em preparo destes, se és tão imoral, à procura de protagonismo e narciso... - ripostou sem perder o fôlego.

 

- Isso é porque os meus pais escolheram esse nome... - jocoso, enquanto passava o pente, companheiro indiscutível, no cabelo, cheio de brilhantina. Além disso, eu não procuro protagonismo, só quero sentir-me... humano.

 

- Sabes, eu tento não perceber porque é que queres o que sei que não queres... - segredou, como se quisesse recompor o ambiente que de repente se tornara pesado, enquanto lhe apertava as costas do vestido. - Devias ter-me soltado. - insistiu serenamente.

(Ela seguiu em passos largos, abrandou, sorriu com orgulho e continuou, sem tirar os olhos da porta enferrujada que lhe indicava a saída.)

 

- Se quiseres.

 

(Horas depois)

 

- Ok, você mostra-me as falhas e eu trato do resto. - disse ele com o cigarro no canto da boca, a queimar o caramelo, no beco do costume.

 

- Olhe que eu quero subtileza e tudo no prazo combinado - lembrou com o indicador bem esticado, cheio de mesquinhez.

 

- Não se preocupe, eu trato disso. Se eu não soubesse fazer o meu trabalho, não falávamos tão regularmente nem tu tinhas férias.

 

- Ah, e não quero ninguém a dar com a língua nos dentes. Sou tem patrão e não quero confusões para o meu lado, senão tu é que vais dentro,

os meus advogados são melhores que tu.

 

- Achas que as pessoas vão denunciar o que não sabem? Olhos que não vêm, coração... Além disso, não sou empregado de ninguém. Faço isto porque preciso de sobreviver. -retorquiu, sem pestanejar, já cansado de se ver como um utensílio de alguém

 

- Sim, mas não quer dizer que não gostes de fazê-lo... Há sempre um filho da puta que não gosta de ser enganado... - retorquiu de peito o feito, querendo relembrar que tinha mais experiência no ramo, mas cauteloso devido aos dez anos que tinha cumprido em tempos de menor matreirice.

 

- Isso também é verdade... - engolindo em seco, levantando o tom de voz. - Estou a ganhar a minha vida, preciso de sobreviver, daí não querer meter o pé na poça, não é por estar preocupado contigo.

 

- E um jornalista à procura de reconhecimento, eu sei controlar as coisas, não te preocupes. (enquanto colocava o braço jocoso nas costas do colaborador)

 

- ...São gajos do quase, como toda a gente. Denunciam na praça pública, mas não são capazes de entrar numa esquadra. - acrescentando num to mais sério - Mas olha que eles vão atrás de cães grandes como tu, não de mim. Tens melhores advogados, mas eu tenho menor interesse! (impensável estar a gabar-me disto)

 

- És demasiado imoral para seres importante... Não te preocupas com ninguém.

 

- Onde é que já ouvi isso... - pensou alto - Mas estás errado, eu tenho o cachorrinho da minha irmã lá em casa e preciso de o alimentar. Além disso, quem disse que quero ser importante? não quero ser igual a todos esses que por ai vagueiam...

 

(Minutos depois de terminada a reunião de negócios)

 

- Quase que lhe caía uma viga de puro aço em cima, teve sorte... - disse, confiante, enquanto olhava para o horizonte - não deve andar por zonas tão perigosas à noite.

 

- Estou a... a... voar? - numa mistura de hesitação, medo e fascínio.

 

- Estou, não, estamos... Ah, tem de inventar uma história bem credível para o facto de ter estado dentro de uma casa a arder e, instantes depois, já estar à porta de casa, caso alguém a tenha visto ali... - insistiu no mesmo ritmo acelerado com que batia o seu coração.

 

- O...kei... - disse pasmada com o que acabara de acontecer, desmaiando de seguida.

 

- Boa, só me faltava esta agora... - salvo-a e ainda tenho de a ir levar à cama. Incrível o desplante destas pessoas...

 

Paulo Jorge Rocha

Publicado por Universo de Paralelos às 16:50
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