Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2013

Mudar de ramo

A vida de travesti revelou-se uma ilusão. O que me parecia uma vida feliz de dinheiro fácil rápido se tornou numa torturante experiência profissional que já leva dois anos e meio. Apercebo-me agora que vestir collants para fingir que canto Alicia Keys não é vida para mim. Quero deixar de ser a Mikaela sempre que o relógio marca as dez da noite. Quero mudar de ramo.

 

Quero ser Ministro. Eles nem pedem muitas condições. Basta caber num fato de cor preta e gostar de aparecer na televisão. Ouvi dizer que não é preciso ter mais que o décimo segundo, nem perceber muito de Excel.

 

A parte difícil é que eles abrem poucas vagas para a profissão. Como se não, parece que fazem de propósito para escolher os piores. Quem é que faz parte do júri de selecção? O Cavaco acompanhado pelo seu Alzheimer de estimação? Uma comissão governamental composta por jogadores de sueca? Um pinguim alcoolizado? Isto não dá prestígio nenhum à profissão. Antes, transforma-a em qualquer do género “Está desempregado e não arranja emprego em mais lado nenhum. Venha governar Portugal.”

 

Eu continuo a querer ser ministro. Fascina-me a ideia de dividirem aquilo por temas. Faz lembrar uma ida ao supermercado aquando da escolha do sabor das batatas fritas.

Contudo, acho que deviam ser mais personalizados. Por exemplo, o ministro das Pescas devia usar uma camisa de flanela aos quadrados e umas calças de ganga arregaçadas até aos joelhos; O ministro da educação devia pôr a mão à frente da boca sempre que arrotava e limpar os pés antes de entrar; O ministro da defesa devia ter o número 2 nas costas e saber jogar a médio-defensivo sempre que se justificasse; O ministro do ambiente devia dar para reciclar. E eram estas pequenas coisas que dariam um certo colorido à profissão.

 

Em entrevista depois de me calhar a pasta da Cultura “Estou muito feliz por assumir esta pasta, porque eu antes era sem abrigo e nem dinheiro tinha para a pasta dos dentes.” E mais uma vez se fixa a ideia de que qualquer um pode sentar o rabo na chefia de um ministério.

 

Não é uma profissão sem falhas. Por isso é que muita gente opta por outro tipo de vida corrupção. O maior defeito daquela gente é não saber contar. Um dia decidiram organizar os ministros por números. Chegou ao local o alto-comissário destacado por numerar indivíduos e disse "Bem, tu vais ser o primeiro-ministro. Tu vais ser o... Qual é que vem a seguir ao um?" E diz um outro "Boa pergunta. Já a fiz no Ministério das Finanças e também não me souberam responder." Garanto-vos que é gente que não consegue resolver um Sudoku, quando mais gerir dinheiro.

 

Meus senhores, senhoras e casal de pentelhos que me está a ver atentamente da terceira fila a contar de Matosinhos, eu quero muito ser ministro independentemente das lacunas relacionadas ao cargo. Como bom futuro ministro que se preze já ando a escolher um escândalo que me fique a condizer com as funções. Pensei em conduzir bêbado, porque parece que está em voga. Pensei em desviar dinheiro para Angola através de uma falsa empresa de sabonetes. Pensei em ir para a cama com a mulher do presidente do Olymiacos, mas parece que o Leonardo Jardim já se antecipou. Se tiverem sugestões é favor partilhar…

 

 

 

Isto é um aparte: As minhas modestas felicidades para a ministra Assunção Cristas e para a sua cria. Que nasça perfeitinha para ela não ter o mesmo desgosto que os pais do Vítor Gaspar.

 

Johnny Almeida

Publicado por Universo de Paralelos às 17:05
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3 comentários:
De Dany a 6 de Fevereiro de 2013 às 17:19
Muita mesmo..


De jabeiteslp a 7 de Fevereiro de 2013 às 14:05

há há há... Bom humor...e uma feliz semana


De Naçao Valente a 7 de Fevereiro de 2013 às 21:16
Eu até já sonhei que era o Gaspar e não gostei. Já felicitei a Cristas e juro que não sou o pai. Quando vou dormir faço uma invocação para sonhar que estou com a mulher do presidente do Olimpiakos, para ver se compreendo o que passou pela cabeça do Jardim e não resulta. Enfim, queria ajudar com sugestões mas não tenho. O que me ocorre já está aqui dito. Conho, não me deixam ser original.


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