Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2013

Duas receitas de bacalhau

Pais, deixem a canalha sair de baixo das vossas saias, caros soberanos apoiem estes quando querem arriscar, quando se encontram preparados para a sôfrega independência. Ai, ui, ai, que o meu menino não pode apanhar com uma aragem senão fica já com uma pneumonia. Se eles nunca se expuserem também não criam anticorpos. Para aprender a controlar a paranoia, em Portugal, os pais frequentam agora cursos de preparação para a chegada do benjamim.

 

"Lave sempre o cu do bebé para ele não ficar irritado, passe pomada suavemente e passe a mão suavemente na barriga quando este não conseguir cagar." Isto sim, parecem-me cursos úteis... Para aqueles que têm filhos aos quinze anos. Numa leitura baseada em suposições - nada, portanto -, chego à conclusão que estes cursos servem mais para os pais se mentalizarem do que vão perder - mais tarde, perceberão que ganharam mais do que perderam - do que aprender coisas que até o Vin Diesel faz no The Pacifier.

Mas será que nesses cursos se debate a educação dos bebés? Talvez seja mais útil, porque há muitas pessoas não o sabem fazer, ao contrário de ser-se pai (na minha opinião, depois da criança nascer o instinto protector da pai acaba por se desenvolver instantaneamente). Por exemplo, na Suécia, além de às vezes ser noite ao meio-dia, existem normas legais que defendem a criança dos pais.

 

No entanto, os nórdicos acham que dar uma "lapadinha" num criança é um acto bárbaro, mesmo que tenha sido no "momento certo". Quem diria que um viriato como eu seria mais insensível do que os descendentes dos vikings. E o que fazem em vez disso? Subornam-nos com videojogos ou coisas que os mais pequenos gostam. Boa técnica! (Talvez no site da SIC ainda encontrem a reportagem a que me refiro.)

Apesar de não devermos seguir o puritanismo nórdico em relação à educação pai-filho, também não temos o dever de negligenciar o seu bom senso social na idade adulta. Foi ele que tornou a Suécia num país profissionalmente atractivo. Porquê? Apostaram em jovens técnicos, com capacidade de inovação.

 

A alavanca que precisamos pode muito bem vir das sinergias dos nossos jovens formados abandonados todos os dias - digo eu, talvez erradamente. Se eu bem percebi, o "lixo" devidamente separado pode servir para potenciar o surgimento de outras coisas e ninguém me tira da ideia que o camarão lançado fronteira fora é utilizado por outros que têm a capacidade de perceber que qualquer um pode ser um diamante por lapidar.  

Resumindo, é desprotegê-los quando daí não devem resultar perigos colossais e mais tarde já estarão preparados para a falta de protecção à retaguarda. Pelo que se tem visto, os nossos representantes são bem capazes de nos retirarem a ténue protecção que tenhamos à retaguarda e pumba!... ("... Ai aguenta, ai aguenta..." - afirmou o senhor Ulrich, um "adjunto" dos governantes, talvez braço direito... o esquerdo deve ser do Salgado).

 

Apesar de todas estas contrariedades vindas de "lá de cima", ainda há bons exemplos, como a Câmara Municipal de Idanha-a-Nova ou até mesmo a Plataforma das Artes e Criatividade, sediada na Capital Europeia da Cultura de 2012, que começam a dar atenção àqueles que mais querem mostrar o seu valor: os jovens. Será que o bacalhau fresco é melhor do que o salgado?

 

Paulo Jorge Rocha

Publicado por Universo de Paralelos às 17:03
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1 comentário:
De Blogadinha a 5 de Fevereiro de 2013 às 18:27
Se queres aprender a nadar, atira-te ao mar!
Ou será antes "faz-te ao mar"...?

A educação vai da invisibilidade de uma boa mão.
E o bacalhau, à portuguesa salgado, também já se encontra ameaçado pela legislação internacional. :)


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