Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2013

"Gosto de tudo o que seja viver" (Manuel João Vieira)

Pensava que o amor era uma coisa mais p'ó hardcore... A sério! Vejam bem que eu imaginava que aquilo - seja lá o que for... - nos batia e nós sentíamos uma bordoada, como uma marrada de um touro. Dávamos cambalhotas e mais cambalhotas  até estarmos todos pisadinhos. Nessa altura, acabaríamos por repensar a estratégia inicialmente, quando a massa branca, não, a vermelha, me dizia que era a minha oportunidade. bem, depois de levar com aquela marrada, as coisas só poderiam melhorar... E foi esse, o principal impulso para uma vida no amor.

Vejam o meu delírio, cheguei a pensar que levar com "o gordo" nas trombas seria pior do que o amor. Depois, apercebi-me que nada disso acontece, pelo menos comigo: o robot Alpha 5964. Depois, veio a decepção e aviso-vos desde já: não acontece nada daquilo que os filmes descrevem. É assim uma coisa p'ó xoxa. Que dizer, pelo menos no início, depois já não sei, porque não tenho conseguido manter uma relação mais do que duas semanas...

 

A última, contra todas as expectativas, tem sido a melhor até ao momento. Ela é linda! Ou tem sido, por agora... Quando a vi, lembro-me de pensar que era como uma boneca, só que ainda mais perfeita. E pronto, tem andado cá por casa... E nem é por ela ser pouco comunicativa, os robots não são bons em conversas de circunstância. É mais porque ela não me dá grandes preocupações, não me obriga a ter horários nem me pergunta como é que correu o trabalho. Além disso, anda sempre a fazer beicinho e, por mais que seja um autómato, não consigo deixar de ser humano. Pega-se.

 

Mas, por estranho que pareça, comigo funciona melhor o olhar. Aprecio bons clichês! Quando a vi no bazar da ásia fiquei logo c'um beicinho igual ao dela. Aqueles olhos verdes, trespassados pelos raios de sol  que incidiam directamente sobre a prateleira, os lábios já artilhados com o beicinho, até o plástico que envolvia era perfeito. E, como se isso não bastasse, estava despojada de ar, do oxigénio exterior, dióxido de carbono, da poluiçao. Perfeita. Tínhamos de nos conhecer! Ofereci-me delicadamente para a comprar, ela aceitou.

Já estamos juntos à três horas e meia - se tivesse sido depois de uma bezana, conseguia aguentar mais tempo - e começou a aparecer um desconforto, porque a "insuflavilidade" que me atraiu antes, traiu-me agora. Já não tinha o cheiro próprio dos produtos embalados. Se lhe tivesse soprado umas ideias em vez de ar puro e duro, estaríamos agora noutro ponto da relação, ela já estaria fora do armário...  

 

Quando passava por ela - era sempre eu que passava por ela! - já não havia aquele odor no ar... Era triste o ponto a que havíamos chegado. Se pudesse trocar isto ali no oriente à frente de casa, onde a conheci... Acabo por dar razão à minha velha - sim, pensavam que era uma cegonha que trazia os robots, não? Estava sempre a dizer que eu só usava os brinquedos uma ou duas vezes e que depois os descartava.

 

"Os brinquedos são caros, deves criar uma relação com eles senão perderão facilmente a piada!", berrava. A verdade é que tenho pensado muito nisso, mas continuo à espera que o tal embate suceda na minha vida - não tão grande como o do Armstrong - e lembrei-me que a melhor poção para revitalizar uma ligação é um viagem. Já fui à antiga dona ver se tem uma botija de hélio. Fica a falar fininho ao início, mas isso passa. Largo-a no à porta de casa e o se ela voltar terei a certeza que passará o resto da vida comigo.

 

Paulo Jorge Rocha

Publicado por Universo de Paralelos às 19:55
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1 comentário:
De jabeiteslp a 30 de Janeiro de 2013 às 13:50

Grandes divagações...


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