Domingo, 5 de Fevereiro de 2012

Bora à bola!

A melhoria da liga não parece contar com o contributo dos árbitros, não pela sua falta de qualidade – alguns bons exemplos de árbitros são aqueles que são internacionais – mas pela sua forma de ver o jogo dentro de campo. E contra factos não há argumentos, quando numa das melhores ligas do mundo – a Premier League – tem, em média, um terço das faltas cometidas em Portugal. Isto, porquê, porque o árbitro português é muito intransigente! Porque é muito rígido! Não aceita que um jogador caia ao chão e que este se possa magoar sem que o adversário seja castigado!
Pode-se magoar… Isto permite, obviamente, a “xico-esperteza” do jogador que se deixa cair e ainda se indigna com o juiz da partida por este não ter marcado a falta mais rápido. Se o fez, podia e devia expulsar o futebolista que se encostou a ele ao disputar a bola. Então pergunto-me, afinal o futebol é o quê? A disputa da bola para marcar um golo. Bingo!    
E não é só isso, o lançamento lateral que o avançado deixa para o defesa, porque “não queremos perder a bola tão rápido”. Mesmo que lá estivesse um jogador desmarcado, ele podia perder a bola. Assim, temos mais uns segundos com a bola… nem que seja para a perder a seguir. Este relaxismo provoca uma diminuição do ritmo de jogo, não? Faz com que as equipas sejam mais lentas e menos imaginativas. Pergunto-vos, é disto que o futebol evoluí? Mais uma vez comparando o futebol britânico ao “tuga” é: eles estão lá para jogar à bola, não para jogarem à bola e serem peritos em “habilidades teatrais”. Há outro conhecimento, não do futebol, mas do jogar à bola (como os “Garrinchas” ou os “Bobby Charletons” faziam…).
Não me lembro de os ver jogar, mas com certeza que eles não se lembrariam de fazer uma “falta cirúrgica” durante um jogo, só porque o contra-ataque – que faz parte do dicionário futebolístico – pode resultar em golo contra a equipa do infractor. Este termo, mais velho que o monstro do Lockness, é facilmente resolvido com o recurso à falta, ao derrube do jogador, quando a equipa já deveria estar preparada para resolver a hipótese de contra-ataque sem recurso à mesma.
Agora pensemos numa coisa muito simples, ou duas - se não nos provocar um cansaço muito intenso ou se não nos retirar dinheiro do bolso. Se o futebol é o desporto-rei em Portugal, à imagem de muitos outros países, se este é ainda um desporto de massas, isto só poderia fazer dirigentes, treinadores, roupeiros e stuarts pensarem o futebol de forma a ensinar algo de realmente útil aos amantes do mesmo. Antes pelo contrário, cultiva ódio e inimizade que se vê tanto dentro como fora de campo, propagando-se uma falta de respeito pelo oponente e uma intenção deliberada de vencer a todo o custo, que acaba por alastrar até às bancadas.
Dentro de campo manda o árbitro e o treinador, fora de campo mandam as emoções, dentro de nós deve imperar a seriedade e a racionalidade. Alguém se vê como um ser corrupto? Quantos de vocês já pensaram obter os números do euromilhões – também um jogo - através de um vidente com o objectivo de serem insipidamente ricos?
O futebol é apenas o exemplo mais gritante do acto de ser corrupto, tal como a política, no entanto a corrupção está tão entranhada na nossa sociedade como dinheiro. No entanto, o pequeno português vê estes exemplos na televisão como o mal maior, sem sequer pensar na sua própria forma de agir. Olhar por nós é como apitar um penalti contra a minha equipa no último minuto de jogo: impensável.

 

Paulo Rocha

Publicado por Universo de Paralelos às 22:11
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