Terça-feira, 18 de Dezembro de 2012

Enrique perdeu um sapato à meia-noite

"Boas noites! Senhores e senhoras, bem-vindos à nossa humilde casa! Sentem-se e desfrutem deste espectáculo feito propositadamente para vocês! Olá Beleza! Boas meu caro, na ala da esquerda com o chapéu de cowboy! Este já está preparado para a "cóboiada" das 12 badaladas... Boa-noite jovem de belas feições na bancada da direita!" Ninguém esboçou sequer um gesto na tentativa de olhar para a jovem (mas pouco inocente), só o relógio interessava.  


"O show começará dentro de momentos! Ocupem os vossos lugares, pois quererão estar comodamente sentados quando o nosso melhor artista surgir daquela nuvem de fumo. Por favor, dêem as boas-vindas a Enrique!" (ouvem-se ruídos imensos e intensos, apupos da audiência impressionada com o brilhantismo da vedeta mexicana; palmas mais do que enérgicas, desesperadas...) Puff... E tudo desapareceu, pulverizou-se. Ficou o vazio.


Será assim, meus caros, o espectáculo do fim do mundo! Quando estaria mesmo para ser bom, melhor, quando estava mesmo para começar... desaparecerá... o mundo. Infelizmente não restará ninguém para contar as histórias daquele que foi considerado por muitos, ainda antes de ocorrer, uma das sete maravilhas do mundo no campo do entretenimento. Nem sequer houve tempo para a RTP fazer um último programa das "7 maravilhas: espectáculos naturais de destruição".  
E, permitam-me a ousadia - como vejo pessoas lá fora a saquear carros e a partir montras para roubar os manequins, desbotados pelo sol, só para terem companhia nestes últimos dias -, de dizer que, um espectáculo tipicamente português é exactamente como este: está para começar e há sempre alguém que fode esta merda toda. Já nem começa.

Apesar das circunstâncias, nem por isso a minha mãe deixa de dizer para eu ter cuidado com a roupa. Mas que raio é que isso interessa, se isto tudo vai acabar dentro de alguns dias com explosões por tudo quanto é lado, vulcões a ebulir, o mar a dar banho à terra, furacões a fazerem-nos andar com a cabeça à roda e o Governador do Banco de Portugal, num complô composto pelos seus parceiros de negócios, descobre que os seus últimos minutos na terra lhes podem ser convenientes para enterrar ainda mais o Estado em dívidas?


Curioso o facto de, no geral, não acreditarmos nas previsões da Maya, mas em contraponto acreditarmos na Civilização Maia. Na minha opinião isto parece-me parvo. Acreditamos que uns indivíduos - inteligentes e astutos, sem dúvida - viram nas estrelas o fim do mundo e criticar uma senhora que usa cartas feitas com o propósito de prever cenas que nos podem dizer onde vamos fazer cocó em 2013. É efectivamente parvo.
Se ambientalistas afirmam que provavelmente morreremos de fome dentro de alguns anos e que o nosso planeta poderá ficar inabitável depois de destruirmos todo o seu ecossistema, as pessoas só ouvem a expressão "dentro de X anos". Ainda há tempo para pensar nisso... Agora, se uns determinados seres que pintavam a cara, usavam adereços difíceis de entender na cabeça e passavam a noite a ver estrelas prevêem que o mundo vai acabar antes de comermos bacalhau com couves, é coisa para se acreditar.


Talvez seja apenas porque estes usam palavras como cataclismo, apocalipse ou armageddon e isso assusta as pessoas. Palavras pouco comuns e edifícios antigos onde há inscrições com seres estranhos é coisa para assustar, principalmente quem não é mexicano, pois ouvi dizer por aí que eles não dão tanta importância a estas profecias como os forasteiros. Alguns nem as conhecem...    
Nesse dia solene, prevejo maias (flor, claro) em todas as portas. As pessoas querem impedir que a previsão Maia invada as suas casas - mas já invadiu as suas mentes. Além disso, desligaram a televisão, evitando que as besteiras da Maya entrassem também. Ao contrário destes que, numa situação extrema, constroem bunkers para se esconder do mundo, eu irei apenas desfrutar de cada dia até que sofra do male comum a todos seres vivos...


Adeus, foi um prazer aparvalhar para vocês!


Paulo Jorge Rocha

Publicado por Universo de Paralelos às 15:37
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3 comentários:
De miilay a 20 de Dezembro de 2012 às 18:54
Amigo?' Amiga? gosto do que escreve,é verdade. E todos os que me visitam são meus Amigos mesmo virtuais. Mas, neste blog, são várias pessoas a assinarem os posts, e claro nem sei a quem me dirigir, mas pode ter a certeza que lhe desejo Um Feliz Natal., junto de quem ama e tudo de Bom.
Um abraço
miilay


De jabeiteslp a 20 de Dezembro de 2012 às 21:12
Feliz Natal
passagem de ano à maneira

com ou sem brincadeira
ao gosto de cada um

é só um momento a contento...velhice


( é raro ver televisão, só ao meio dia e à noite ao jantar )


A Guarda tem muito encanto nestes momentos...


De golimix a 23 de Dezembro de 2012 às 10:28
Quem disse que a previsão não estava correcta e nós estamos num Universo Paralelo?
Hã?

Provas?



Bjinhos e uma época festiva terna, doce e sem grandes catástrofes e se as houver que sejam do género "iiii o forno pifou!!!!" (aconteceu isso lá em casa onde vão estar 16 pessoas à mesa)


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