Terça-feira, 4 de Dezembro de 2012

"Dreamer, you stupid little dreamer" (Supertramp)

Pessoas e outras pessoas, "I say to you today, my friends, that in spite of the difficulties and frustrations of the moment, I still have a dream. It is a dream deeply rooted" na cultura portuguesa. Era assim que começava o meu sonho. Estranho eu me recordar porque raramente isso acontece. Mais surpreendentemente, antes desta primeira altercação se reproduzir através da minha boca, ter deslizado uma imagem à frente dos meus olhos. Chamava-se Martin.
Homem de postura exemplar, com bigode cuidado, "enfateado" em tons escuros e com uma gravata, adequada ao momento. E eu, continuava. Sem microfones nem qualquer tipo de apoio, só com a força da voz, berrava entusiasmadamente: "I have a dream that one day this nation will rise up and live out the true meaning of its creed: "We hold these truths to be self-evident: that all men are created equal."


A emoção a subir por mim a cima, as pessoas que circundavam continuavam na sua vida. Mas não faziam má cara enquanto me ouviam. De repente, ouço um silêncio - curioso... -, sigo-o com os meus olhos, inclino-me para a direita. Vejo tudo baço. Estranho. Levantei o meu braço direito e coloquei os óculos. Espera, antes limpei-os com o lenço que estava no bolso do meu fato.
Finalmente, vejo outro. Sim, outro como eu. Inflamado pelas "areias movediças" estarem a levar a melhor. Viro-me num gesto para a esquerda e vejo uma lady, ardente a gritar... Ah, não é isto. Vejo outro lá ou fundo, apaixonado pelos sonhos que carrega. E outro, e outro, outro. Como pontinhos luminosos que vão aparecendo no mapa.
Revejo aquela figura novamente, mas agora mexe-se, espeta-me uma valente galheta e diz-me "essas palavras são minhas. Faz o favor de fazer a tua própria estória" e, com isto, se foi. Olhei para o relógio, ainda com a sensação de ter levado um tabefe e já não me lembro que horas contava o despertador. Caio novamente na armadilha.


Novamente um discurso mas, desta vez, inocente. Melhor, feito por uma pessoa inocente. Um discurso, simples, poderoso, capaz de mover mundos e fundos. "Gostei da peça, mas fiquei triste, porque enquanto o tolo tornou-se rei e, assim, nunca poderemos progredir" - disse impertinentemente uma pequena que se encontrava rodeada por uma multidão de flashes.
Quando vos disser que o pequeno se chamava Afonso H. e que estava ao colo do Presidente da República perceberão que a situação seria um embaraço circunstancial. Mas não. O miúdo foi visto por todos, em todos os canais. Digo-vos que senti mesmo uma leve brisa refrescante. Pasmem-se quando vos digo que aqueles que berravam há uma hora atrás, eram muitos mais, quase todos.


Depois disso? A frase inconsciente, gerou consciência. Talvez a brisa tenha trazido educação moral, maior consciência cívica, solidariedade e preocupação com o que está além do pôr do sol. Talvez as areias tenha parado de se mover. Na realidade não tenho bem a certeza. Acordei, assustei-me. Virei-me para o outro lado, olhos fechados, mas já não me sentia bem apenas a sonhar...


Paulo Jorge Rocha

Publicado por Universo de Paralelos às 15:29
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1 comentário:
De jabeiteslp a 5 de Dezembro de 2012 às 14:39

temos que cuidar essa escrita...

feliz dia


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