Terça-feira, 13 de Novembro de 2012

Filhos do Pavão

Olá pessoas! olá! (olá animal.) Olá. (olá minha besta.) Olá... (Caralho, cala-te lá com essa merda e diz o que tens a dizer pra nós irmos embora.) Bem, visto que há por aqui pessoas mal dispostas, vou logo directo ao assunto que me faz vaguear por esta página na web algures situada entre uma lixeira cheia de seringas e o esgoto da Avenida da Liberdade.

Agora que acabaram os Jogos Olímpicos - sim, porque desconfio que só agora as entidades responsáveis pelo evento começaram a pagar os prémios prometidos - lembrei-me daqueles jogadores da selecção cubana masculina e feminina que desertaram depois de jogarem fora do território nacional. Nos dois casos que li foram todos para os E.U.A.

Parece que é a forma mais fácil de sair do país. Não é preciso passar na fronteira pelos olhos do podre, perdão pobre, Fidel e do Raúl - lembra-me o nome de uma banda romântica. Além disso, eles podem chegar à América, comprar dois telemóveis, enviam um deles para a mãe e telefonam-lhe a dar as boas novas. Os 3310 que existem em Cuba têm um custo muito alto quando se fala da relação preço-utilidade. Ou na relação liberdade-de-expressão-progresso.

Na China e no Irão também há atletas que pensam nisso. E falo destes dois países a título de exemplo, sem ironia. Porque, se bem nos lembramos nos últimos Jogos Olímpicos da Era Moderna (esta distinção moderno/antigo descreve que nem uma luva aquilo a que me refiro), em Londres, houverem sete atletas do Senegal que desapareceram misteriosamente e três costa-marfinenses que abandonaram a comitiva sem explicação.

Como na China, eles só têm quatro anos quando começam a treinar ao ritmo da "vergastada" e precisam da autorização dos pais para participarem em grandes certames ideológico-desportivos, muito dificilmente escapam a uma vida de privações tão básicas como... viver.

Também no último Mundial de Futebol, decorrido na África do Sul, quatro futebolistas norte-coreanos abandonaram a sua selecção e pediram asilo. Ou, então, os 14! jogadores que abandonaram a selecção de sub-21 da Serra Leoa, em 2006, nos Jogos da Commonwealth, na Austrália são exemplos crassos de quem apenas deserta quando já não vê outra luz ao fundo do túnel.

Não estou a criticar os atletas, porque qualquer um ambiciona por uma vida melhor. As pressões que estes possam eventualmente sofrer de terceiros fazem com que não representem a nação por orgulho, mas sim com a obrigação de ter orgulho (mesmo que não concorde com situações os sistemas sociais e políticos do seu país).

"Então, vais fazer um brilharete na selecção?" "Vou tentar, ainda estou à procura da melhor forma." - diz o atleta para um amigo de longa data que casualmente encontrou na rua. Normalmente, representar um país numa grande competição desportiva deveria ser apenas uma competição saudável entre atletas para ver quem desempenha melhor uma determinada actividade.

Mas surpreendentemente isto não acontece, ou melhor, acontece mas não é o mais importante. Enquanto os atletas deveriam querer mostrar o que melhor sabem fazer, os países deveriam querem dar a conhecer ao mundo um homem que trabalhou mais do que tudo para ali estar e a quem estariam agradecidos por serem um exemplo a seguir pelos outros cidadãos.

Mas eles acabam por ser usados como uma forma de se "pavonear" (vindo do grego pavonis, que significa esconder uma nação atrás do sucesso de um indivíduo, ou grupo de indivíduos, apoderar-se do sucesso imerecidamente e vangloriar-se com os louros alcançado por terceiros).

Bem, agora que me "pavoneei" com a desgraça dos outros, já se podem ir embora. Adeus.


Paulo Jorge Rocha

Publicado por Universo de Paralelos às 15:30
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1 comentário:
De golimix a 14 de Novembro de 2012 às 11:31
Este pavoneamento nem brilha e nem tem penas lindas! Penas tem, mas são falsas!




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