Terça-feira, 2 de Outubro de 2012

Alucinaçãoooooooooooooo!

Eu vim só comprar arroz, mas aviso desde já que sou muito distraído. Uma vez, comi o próprio braço a pensar que era uma taça de gelatina. Coisas que acontecem, pelo menos, duas vezes na vida. Uma delas no casamento, tal é a pressa de chegar à mercearia primeiro que qualquer senhor de bigode.

 

Eu sou uma bruxa já na reforma. Leio o futuro em sabonetes de alfazema e lavo-me com búzios e cartas de Tarot. O meu melhor conselheiro é um cientista louco, que incendiou o rabo porque acredita em tudo o que lhe dizem. Os meus melhores amigos são um baralho de cartas e o irmão mais novo, para quem a soma dos catetos a dividir por uma fatia de regueifa, dá sempre quatro.

Estive três anos preso no corpo de uma lésbica que tinha medo do padrasto. Foram anos amargurados. Resgatei o Génio da Lâmpada e pedi que me tirasse dali, mas como tinha mais dois desejos, pedi um walkman e umas meias com raquetes. Só depois reparei que não estava em 1991. Apesar de tudo, eu só vim comprar arroz…

 

As luzes piscam por todo o lado contra a vontade de toda a gente, enquanto centopeias passeiam pela trela os seus carros descapotáveis. Em cima da minha cabeça sobrevoa um mini-helicóptero em forma de garrafa de groselha que lança mísseis em formato de xupa-xupa sabor a cadeira. Era incomodativo, porque fazia um barulho igual ao de um brasileiro a vender comprimidos para emagrecer no programa do Goucha.
Os prédios têm pernas e braços. Uns praticam esgrima, uns jogam raquetes, outros andam ao estalo por causa de dívidas antigas. É assim que os prédios vivem quando não têm pessoas lá dentro. Vivam prédiooooooooooos, vivam as vossas vidas. Sejam felizes e casem com crocodilos antes que estes virem malas ou sapatos de chulos.
Há fogo-de-artifício por cada vez que o senhor da rulote come um gelado e nada fizeram quando me saio um par de barbatanas de uma espinha que tinha na testa. Mundo cruel que me sacrifica por metade de mim ser pobre e a outra metade ser feita de barro e palha.

Só vim para comprar arroz, mas acabei por me apaixonar por uma ruiva, olhos cor de pintarolas, pernas definidas e mamas do tamanho de bolas de basket. Ok, não era uma ruiva. Era um esquilo a usar chapéu de cozinheiro, mas toda a gente sabe como é o amor. Só vê aquilo que quer.

 

Calhou-me em sorte, a sorte de cada uma. Sou um terrorista treinado pelo sobrinho do diabo a vender flores de porta em porta e faço-o a pé. Antes tinha um Jeep, mas comprei um leopardo para andar ao fim-de-semana. Já me matou uma prima, mas como come muito pouco, acaba por compensar. E a bem dizer, eu só vim comprar arroz.

 

Louco sou eu que estou em cima da tua mesa, a calcar o teu pequeno-almoço, com os botins ensopados em merda de vaca? Louco és tu que me vês aos saltos desde lá do fundo, vestido de palhaço e com um cutelo na mão e não me deste um tiro na perna.
Sou só uma toalha oca, a gritar a palavra “Sono”, com uma garrafa de Malibu na mão e a fome de quem nunca comeu. Por falar nisso, faz lembrar aquela vez em que construi uma casa com almofadas e geleia.

 

Johnny Almeida

Publicado por Universo de Paralelos às 18:54
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