Terça-feira, 2 de Outubro de 2012

Que fins para atingir os meios (de comunicação)

Se queremos emergir para uma plateia com um tamanho relativamente aceitável e não temos jeito - nem ideias - para fazer acontecer "algo importante", estamos fodidos! Ou então, criamos uma calamidade. Mesmo que alguém já tenha feito algo semelhante. Arriscaria a dizer que pode ser suficiente se obter alguma visibilidade. Com certeza, já ouviram falar de filmes como "O Coleccionador de Ossos (1999)", é que chegam a ser estes a legitimar a minha posição.

 

E, atenção, porque há variantes! Podemos sempre optar por seguir um ou outro caminho. Podemos simplesmente copiar um qualquer elemento que decida marcar a sua (infeliz) existência com um assassinato brutal ou, então, optar pela segunda variante que nos puxa para aquilo a  que chamamos serial hillers - uma coisa socialmente menos aceite por requerer períodos de gestação mais longos, o que acaba por ser actualmente impossível, dadas as actuais circunstâncias no indicarem o caminho descrito como "trabalhar mais e receber menos". 

 

Num ápice passaríamos do vulgar sofá à sensacional televisão, acreditem no que vos digo. Também não vos posso dar uma certeza total, já que considero este tipo de actividades lúdicas pouco responsáveis. Reparem que matar algumas pessoas só porque calçam o mesmo número ou têm duas mãos agarradas a dois braços ou caminham com duas pernas é coisa para provocar sujidade e que nos pode sujeitar a uma ou outra hérnia (andar com um estojo de facas ou pistolas aborrece), além de ser um bocado p'ró carote...

 

Mas, já que estou a expor os factos, vou fazê-lo da forma a também abranger os outros intervenientes: nós, nos sofás a absorver aquilo como se fosse informação válida e relevante. Não é indispensável a existência de sangue, basta apenas a existência da palavra morte - desmaio não chega - e logo permite à sanguessuga imaginar o quê, quando, onde e o motivo da cena.

Segundo a linha de pensamento que me guia na redacção deste texto, apenas é necessária mais um ingrediente, a imaginação individual. Embora todos sejam guiados pelos mesmos traços gerais, acaba por ser aquele que lê ou ouve a desenhar a situação dentro da sua própria cabeça e, portanto, a imaginar o acto a acontecer. Porque é que tantas vezes ouvimos este ou aquele soltar um "ai, nem quero imaginar tal coisa"?

 

E para não dizerem que uso duas palas nos olhos, tenho de vos relembrar que há também os mais macabros que dão asas à sua imaginação e imaginam o acto da forma mais perversa que lhes venha no momento à cabeça. A maneira de actuar do agressor, a sua expressão facial e mais este ou aquele pormenor que lhes parecer importante acaba por ser apenas imaginação nossa. O imaginar de algo medonho acaba por ser uma forma de nos levar a nunca fazer algo do género, seria algo detestável, espero eu...

 

Vendo bem, esta acaba por ser uma limitação do cinema; restringe-nos ao que vemos na tela - a outra é o preço dos bilhetes. A rádio acaba por ser, então, cinema puro para a nossa moleirinha...

 

Paulo Jorge Rocha

Publicado por Universo de Paralelos às 18:52
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