Domingo, 16 de Setembro de 2012

A primeira vez que comi uma janela

Sujei-me a comer um éclair. Era uma camisa branca com uma nódoa de creme, a segunda mais difícil de tirar a seguir a ranho de crocodilo. Por acaso, não me sujei a comer um éclair, mas como tinha tão pouca coisa para dizer, decidi inventar isto. Também podia ter dito que engoli, sem querer, uma serpente a ver o “Indiana Jones”, mas pareceu-me demasiado puxado e sem piadinha nenhuma.

 

Há coisas que nunca vão mudar, entre elas aquelas expressões que dizemos de forma tão automática, quando nos faltam palavras próprias para servir de explicação ao que nos acontece. Reparemos no seguinte exemplo, passado numa escola de freiras:

 

Freira-professora: Pois é meninas, sempre que quiserem engolir um pepino inteiro, barrem os lábios com um bocadinho de azeite. Hoje ficámos por aqui, amanhã vamos falar da arte em azulejo. Alguém quer levantar alguma questão?

 

Cá está. As questões são sempre levantadas. Nunca vi ninguém a deitar uma ou a pô-la de cócoras. E não me parece, a mim, leigo em quase todas as disciplinas da vida, que as coisas mudem, porque as questões devem surgir-nos do “peito feito” para a boca. Portanto, um movimento ascende muito semelhante ao do vómito.

Outra coisa, mas esta só para homens que gostam de cerveja gelada e de dizer palavrões em frente à televisão. Aquando o fim da carreira de um jogador de futebol, o que é que ele faz? Pendura as chuteiras. Ele chega a casa, escolhe o melhor cabide e pendura-as para a eternidade? Provavelmente, guarda-as numa caixa e até se esquece delas. Será que os advogados penduram o código civil e o penal? Será que os jardineiros penduram a tesoura de poda? Será que os pianistas penduram o teclado? Por falar nisso, sem saudades dos carrascos que durante a sua vida profissional, passavam-na a pendurar.

 

Porquê insistir-se em comer peixinho e vegetais se acabamos todos “feitos ao bife” e a “engolir sapos”? Qual a razão da existência de biliões de cobertores numa cama se depois acordamos “com os pés de fora”? Porquê estipular um dia com vinte e quatro horas se depois “o tempo passa a correr”? Porquê gastar um dinheirão num carro se depois temos que ir “tirar o cavalinho da chuva”? Ah, pois é! Merdices que todos dizemos, mas nem sabemos muito bem porquê.

 

Mas só para vocês não andarem para aí a dizer “Ui, tu és tão inteligente e reparas em coisas tão pertinentes que devias ser comentador político, filósofo ou mecânico de naves espaciais”,  vou ser um pouco ignorante de modo a dissipar-vos essa ideia:

 

Olhai, fui buscar meio “surrasco” e fiz um “selada de pupino” de trás da orelha. Agora não sei se vou andar de “cicleta” ou vou ver “tevisão”. Olha, pronto. Se calhar fico a ver o filme do “Home-Aranha” e a comer um “ogurte”. Até logo!

 

Por falar em toucas de natação, vou fazer xixi ao jardim, mas levo as galochas para não sujar os pés.

 

Johnny Almeida

Publicado por Universo de Paralelos às 23:51
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1 comentário:
De golimix a 17 de Setembro de 2012 às 17:34
Estava mesmo a precisar de um texto que me fizesse rir assim! Obrigada

Espero que com tanto sofá na tivesse que tomar um "primido" pá azia. ;)

Boa semana


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