Terça-feira, 10 de Julho de 2012

Hard-work-star

Não me canso de comparar alguns autarcas portugueses a estrelas de rock, indecisos até atingirem as três décadas de idade acerca do seu futuro mas, orgulhosamente donos de um certo nível que só eles e os meios de comunicação vêm recair sobre si. Senão reparem: durante os comícios (ou espectáculos - pois são estes agrupamentos populares que ali se mostram em frente ao palco que fazem deste um sucesso, ou não.

Mesmo que a gravação fizesse destes um aglomerado tão grande como a população da Índia, eles não seriam nada sem aqueles bichinhos que proporcionam a filmagem (falo dos utensílios em si, claro). Desta forma, não tenho outra alternativa senão defini-las como “Feiras Populares”, onde o parque de diversões é pobre e se resume às piadas vindas de alguém atrás de um palanque, com um agitar de bandeiras eufórico e uns aplausos e berros e ofensas e berros próprios de quem tem tantos neurónios quantos os do Tonecas.

 

Podem não ser consideradas verdadeiras estrelas de rock, porque muitas vezes levam a família para cima do palco, quando sabemos muito bem que um verdadeiro artista dá nas coisas e caga-se para a família, baseando-se numa certa revolta interior proveniente do facto dos seus tutores não lhes terem dado o carinho que necessitavam para se integrarem naquela coisa a que chamamos sociedade (e perceber as suas graves falhas). E, depois, porque a sonoridade que estes apresentam nesses espetáculos não passam da junção de um piano com a voz da Júlia Pinheiro ou da Cristina Ferreira, dependendo dos agudos que estes pretendem para ensurdecer a plateia.

Já num contexto geral, ambos acabam por passar pelo trabalho em estúdio, onde se escolhem as melhores palavras a proclamar - com o objetivo de contaminar o público com as ideias nascidas da circunstância -; há, depois de muitas repetições nos média o boom, que promove o enfrentar do público debaixo dos holofotes e de todo aquele fumo histericamente misterioso; finalmente, os processos em tribunal ditam a sua decadência, pois só assim conseguem sair do palco, seu grande falso-amor criado com o mais sério dos trabalhos e o mais questionável dos suores.

 

Mas este imenso aparelho movido por idealismos fugazes, não se pode dizer que seja uma pertença apenas deste ilustre povo feito à base de orgulho e trabalho - também esperteza, claro. Afinal de onde viria esse sentimento tão instantâneo chamado orgulho? - percebemos que afinal que o Arc de Trionphe também tem o seu quê de suspeito impregnado na sua imponente construção e os Champs-Élysées usando agora um novo método baseado na experiência populista “sarkoziana” muito baseada, não na transparência, mas sim no branqueamento.

Esta equivalência de métodos, tanto dentro como fora de portas, demonstra que os mega-concertos com que teatralmente é presenteado o público, e depois de eleita pelos sábios seguidores, esta "hard-work band" passa agora à gravação de novos temas pois os singles que os celebrizaram são agora desatualizados e pouco correspondem às expectativas dos artistas.

 

Procede-se obviamente à gravação de novos sucessos, embora a afición de outrora transpareça agora algum cepticismo, só batido pela repetição infinita de novos trabalhos e talvez novos sucessos, embora a freguesia outrora apregoada como único amor tenha leviana e, ao mesmo tempo, estrategicamente mudado: a cega necessidade de novas fontes de inspiração, rendimento e popularidade.

Estes gestores de imagem pública (não são mais do que isso.) são o abono de parentes e aparentados e conhecidos e desconhecidos e outros ainda, demonstrando aquilo que procuram neste tipo de profissões: notoriedade, bom salário e melhor reforma.

Criam-se, assim, em cima do palco personagens feitas pelo belo traje que o corpo carrega, conscientes da celeridade do seu cargo, assombrados pelo facto de poderem ficar presos nos bastidores sobrios e magoados pela dureza e incipiência do seu trabalho, dissabores de uma vida sôfrega e claramente pouco digna das boas almas que aparentam ser.

 

Paulo Jorge Rocha

Publicado por Universo de Paralelos às 18:46
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1 comentário:
De golimix a 10 de Julho de 2012 às 20:01
Clara verdade, sábias palavras!

LMaria


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